Logo a seguir, as autoridades em Istambul iniciaram uma investigação criminal contra dos jornalistas. Alguns profissionais na zona de crise relataram terem sido detidos e impedidos de cobrir os esforços de resgate, mesmo quando a media estatal foi autorizada a continuar, revela Kyle Pope no artigo publicado na Columbia Journalism Review.

O regime reprimiu, também, a dissidência nas redes sociais. Segundo a CNN, a Força Policial Turca, prendeu cinco pessoas e deteve dezoito por partilharem “post´s provocativos”. Na mesma época, o NetBlocks, um site que monitoriza as interrupções da Internet em todo o mundo, informou que o acesso ao Twitter estava restringido no país, tendo sido restaurado mais tarde, mas somente depois dos funcionários do governo se reunirem com representantes do Twitter e lembrarem, como disse um ministro, das “responsabilidades da plataforma para com nosso país durante esse desastre devastador”.

As restrições foram amplamente criticadas, até porque, as pessoas na Turquia, usaram o Twitter ao serviço dos esforços de resgate e em alguns casos, pedir ajuda.

Pope, salienta que a vida política de Erdoğan, surgiu em parte, devido ao último terremoto com uma taxa de mortalidade similar que atingiu o país, perto de Istambul em 1999, quando dezassete mil pessoas morreram e muitas outras ficaram feridas. Esse desastre, relata o Post, chamou à atenção para uma resposta inepta do governo e ajudou a inaugurar um novo movimento liderado por Erdoğan.

O autor, revela que o terremoto desta semana é uma repetição dolorosa. De acordo com um relatório do Instituto do Oriente Médio, um think tank apartidário, os generais aposentados começaram a reclamar publicamente que as tropas não foram treinadas para dar resposta a desastres e que o Ministério do Interior, a agência responsável pela coordenação dos esforços de socorro, está sobrecarregado. “Os media sociais estão cheios de pedidos desesperados de ajuda”, de acordo com o relatório. “Os cidadãos turcos estão naturalmente a perguntar por que a força total do tão alardeado estado não é colocada em ação.”

O destino da Turquia, não será ajudado pelo facto da imprensa do país ter ficado condicionada sob o regime de Erdoğan.

Jornalismo responsável e de investigação, poderia examinar questões sobre a resposta do governo e sobre os motivos de os códigos de construção não terem sido aplicados durante o boom de construção, mas, esse tipo de trabalho jornalístico é cada vez mais raro na Turquia. Os meios de comunicação que tentam chamar a atenção para as falhas do governo são amordaçados, ou pior.

No verão de 2019, Suzy Hansen, escreveu sobre a Turquia e a imprensa para uma edição especial da CJR, a propósito do jornalismo global. Concentrou as suas reportagens nos Demirörens, a família mais proeminente na comunicação social turca, (que comparou ao clã Murdoch) e em como Erdoğan assumiu o controle do jornalismo no país.

Por volta de 2008, depois de Erdoğan ganhar o seu segundo mandato, os media turcos tornaram-se na primeira vítima do seu autoritarismo. Nos anos que se seguiram, os jornalistas mais talentosos desses jornais foram levados a julgamento, presos ou expulsos do país.

O Comité para a Protecção dos Jornalistas descobriu que 69 jornalistas turcos foram presos em 2018, mas nos anos anteriores esse número disparou para centenas. “Os repórteres foram perseguidos e assediados nas redes sociais; às vezes foram presos por causa dos seus tweets. Foram forçados a auto censurar-se. Ficaram privados das suas carreiras. Temeram pela sua vidas. Viram a sua profissão tornar-se numa farsa” afirmou Hansen.