Em 2023, foram mortos 99 jornalistas e profissionais dos media em todo o mundo, de acordo com o relatório publicado pelo Comité de Protecção de Jornalistas (CPJ).

Este é o valor mais alto registado pela organização desde 2015, ano em que o Comité contabilizou 100 mortes de jornalistas.

Uma grande maioria dos profissionais mortos em 2023 (72) encontravam-se a cobrir a guerra Israel-Hamas, em Gaza. Segundo o CPJ, nos três primeiros meses deste conflito, morreram mais jornalistas do que alguma vez tinham sido mortos num país no período de um ano.

O Comité tem manifestado a sua preocupação com o aparente ataque direccionado a profissionais dos media pelo exército israelita, estando a investigar as circunstâncias da morte de mais de uma dezena de jornalistas em Gaza. O CPJ tem lembrado “as partes em conflito que os jornalistas são civis ao abrigo do direito internacional e que atacá-los deliberadamente é um crime de guerra”, pode ler-se no comunicado sobre o relatório.

Sem contar com as perdas humanas em Gaza, Israel e Líbano, os números de 2023 — 22 profissionais mortos em 18 países — são significativamente inferiores em relação a 2022, ano em que foram registadas 69 mortes, de acordo com os dados daquela organização.

“No entanto, estes valores não são sinal de que o jornalismo se esteja a tornar mais seguro nas outras partes do mundo”, alerta o Comité, lembrando que, por exemplo, o número de jornalistas presos em 2023 está perto dos valores record de 2022 — 320 e 367 respectivamente.

O CPJ é uma organização sem fins lucrativos independente que defende a liberdade de imprensa em todo o mundo. Um dos trabalhos deste Comité é o registo, desde 1992, de estatíticas como o número de jornalistas mortos e presos anualmente em todo o mundo.