De acordo com um relatório recente divulgado pela Safeguard Defenders, um grupo de defesa dos direitos humanos, a China tem estado a aumentar as proibições de saída do país aos jornalistas.

A Safeguard Defenders (SD) é uma organização de direitos humanos, sedeada em Madrid e sem fins lucrativos, que monitoriza desaparecimentos na China, tendo denunciado agora esta situação, a qual diz que servirá, entre outras situações, para “intimidar jornalistas estrangeiros”.

Desde 2018, sabe-se, por exemplo, que quatro jornalistas estrangeiros foram ameaçados com proibições de saída daquele país, situações consideradas "ilegítimas" e que violam o princípio da liberdade de movimento. Entre esses jornalistas, encontram-se correspondentes de televisões públicas, nomeadamente da inglesa BBC e da australiana ABC, diz a Safeguard.

A organização não-governamental (ONG) diz, ainda, acreditar que a aplicação de proibições de saída a jornalistas faz parte da “diplomacia de reféns de Pequim, uma retaliação contra ou uma táctica para obter concessões de um governo estrangeiro”.

A SD menciona, também, situações em que “familiares são frequentemente mantidos como reféns na China com proibições de saída, para forçar” o regresso de activistas políticos, incluindo defensores dos direitos humanos, ou de suspeitos de crimes económicos.

“Dezenas de estrangeiros estão, também, a ser impedidos de deixar a China, se trabalharem para uma empresa envolvida numa disputa civil”, refere a ONG.

A SD acredita que “dezenas de milhares de pessoas na China” estão impedidas de sair do país. “Muitas dessas proibições de saída são ilegítimas e violam o princípio da liberdade de movimento”.

A ONG acusou, há alguns meses, a China, de manter 54 esquadras de polícia clandestinas no estrangeiro, incluindo três em Portugal, para pressionar e ameaçar dissidentes, controlar fugitivos e intentar o seu regresso ao país. A Procuradoria-Geral da República já garantiu estarem em curso investigações do Departamento Central de Investigação e Acção Penal a este alegado funcionamento ilícito de “esquadras chinesas” em Portugal.