Segundo o 21º e mais recente ranking mundial da liberdade de imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Portugal desceu de sétimo para o nono lugar.

Portugal integra, agora, o grupo de 44 países com “uma situação satisfatória” quanto à liberdade de imprensa, um quadro diferente daquele em que se encontrava em 2022, quando estava integrado nos primeiros oito países, considerados numa “situação muito boa”.

Ainda assim, a ONG refere que “a liberdade de imprensa é robusta em Portugal. Os jornalistas podem conduzir as suas reportagens sem restrições, embora alguns possam enfrentar ameaças de grupos extremistas”.

Quanto a esta análise, o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Luís Simões, considera que esta descida na tabela é um sinal de alerta, apesar de Portugal ser um país onde existe liberdade de imprensa. No entanto, "os jornalistas continuam a ter, muitas vezes, dificuldade no acesso à informação por parte dos Ministérios, isso é um caminho que devemos percorrer para recuperar o lugar", afirma.

Luís Simões crê que para subirmos neste ranking devemos “encontrar forma de protegermos o jornalismo em Portugal, de lhe darmos formas de sobreviver. É uma frase feita mas é verdade: não há uma democracia saudável, com liberdade de imprensa, sem uma imprensa forte e o caminho será precisamente esse. Nós vemos países que estão à nossa frente no ranking, são democracias consolidadas e fortes", afirma.

De acordo com o ranking, que avalia 180 países, a Noruega surge em primeiro lugar pelo sétimo ano consecutivo, seguida pela Irlanda, que subiu quatro lugares, e pela Dinamarca, que desceu um.

O secretário dos Repórteres Sem Fronteiras, Christophe Deloire, refere, no relatório, que “o Índice Mundial de Liberdade de Imprensa revela uma enorme volatilidade de situações, com grandes subidas e descidas e mudanças sem precedentes, como a subida de 18 lugares do Brasil e a descida de 31 lugares do Senegal”. O primeiro encontra-se agora no 92º lugar e o segundo na 104ª posição.

Deloire afirma que “esta instabilidade é o resultado de uma maior agressividade das autoridades em muitos países e da crescente animosidade contra os jornalistas nas redes sociais e no mundo físico. A volatilidade é também consequência do crescimento da indústria de conteúdos falsos, que produz e distribui desinformação e fornece as ferramentas para fabricá-la”.