Centenas de jornalistas do maior Grupo de imprensa regional dos Estados Unidos, Gannett, estiveram em greve, em protesto contra a gestão da empresa, que adoptou medidas severas quanto a redução de custos, o que espoletou demissões em massa e reduções salariais. O Grupo tem mais de 200 jornais em todo o país, incluindo USA Today, The Palm Beach Post e The Arizona Republic.

Estas greves, que se concretizaram em cerca de 24 redacções administradas pela empresa, coincidiram com a reunião anual de accionistas da Gannett, durante a qual ocorreu a eleição estatutária do conselho da empresa. O sindicato NewsGuild-CWA instou os accionistas a absterem-se de votar no CEO e presidente do conselho Mike Reed, que lidera a empresa desde a sua fusão com a GateHouse Media, em 2019, e contra quem as críticas são feitas.

“O NewsGuild-Communications Workers of America pede aos accionistas da Gannett que votem contra o presidente Mike Reed para director”, disse o órgão sindical em carta divulgada antes da reunião.

O NewsGuild, que representa mais de mil jornalistas da Gannett, acusa a administração da empresa de desmantelar as redacções locais e cortar na cobertura das notícias para lidar com as dívidas. Os cortes também incluíram licenças forçadas dos colaboradores e a suspensão de contribuições para o plano de pensões. De acordo com o sindicato, esses cortes nos benefícios dos jornalistas forçaram muitos a procurar emprego noutros locais.

O sindicato constatou ainda que as notícias locais caíram na última década. “Durante o mandato de Reed, as finanças da empresa foram mal geridas, ao serviço da enorme dívida por si contraída, e a Gannett cortou quase 20% dos seus trabalhos jornalísticos no último ano, instituiu licenças sem vencimento e uma desaceleração no recrutamento”, explica.

Ainda de acordo com o NewsGuild, a Gannett demitiu mais de 600 colaboradores em 2022, quase 20% dos cargos jornalísticos nas suas redacções.

Apesar dos apelos do sindicato e dos colaboradores do Grupo sobre a demissão de Mike Reed, o CEO foi reeleito pelos accionistas, o que provocou novas críticas. “Ele não tem capacidade de liderar a Gannett, nem de prestar contas a jornalistas ou accionistas”, disse Jon Schleuss, presidente do NewsGuild, numa publicação no Twitter.