“No Brasil, não é diferente, instituições de renome, têm dificuldades para constituir turmas ou enfrentam um acentuado declínio no número de candidatos”, afirmou Ratier, acrescentando que “faculdades com mensalidades a preços populares têm fechado cursos ou migrado integralmente para a modalidade de ensino à distância”.

Reconhecendo que a “crise económica e a percepção de uma actividade com empregabilidade e remuneração em declínio” são responsáveis por uma parte do decréscimo de alunos, afirma que “o problema não se restringe ao sector privado. Na Universidade de São Paulo, a relativa estabilidade da relação entre o número de vagas e o de candidatos ao curso de jornalismo “esconde a diminuição da oferta que é de 60 vagas para 42 alunos”.

Para Ratier há dois vectores sociais relevantes que justificam a situação actual. A primeira será “a explosão das redes sociais e das suas dinâmicas na disseminação da informação”. A segunda tendência, que decorre desse primeiro factor, “é o descrédito social em relação ao jornalismo”.

“Nesse contexto, o que pode fazer o ensino de jornalismo?”, pergunta.

Falando da sua experiência com professor descreve que “os futuros jornalistas desconhecem o que é o jornalismo canónico”, daí haver uma necessidade de se “realizar uma espécie de alfabetização jornalística, para familiarizar os alunos com exemplos lapidares e as boas práticas da profissão”, o que exige segundo autor uma interligação forte entre a teoria e a pratica, onde possam “aprender fazendo”.

Evitar uma visão catastrofista, poderá ter bons resultados em evitar uma geração desinteressada e fazer dos alunos “pessoas que pensam, sentem e se posicionam na sociedade de uma maneira diferente, às vezes radicalmente diferente, dos professores”.

A Universidade segundo Ratier, tem sido “tímida na criação de soluções e na proposição de alternativas à crise da profissão”. O que “faz pouco sentido, pois a universidade é, ou deveria ser, justamente o lugar da experimentação, do erro e da reflexão sobre actividade e a inovação”.

Por fim, recomenda que “é preciso não perder de vista o carácter profissional da profissão. O aparente pleonasmo revela uma verdade incómoda” e questiona “quantos de nós muitas vezes consideramos o jornalismo como um ofício que se aprende no dia a dia do trabalho, que talvez nem sequer precise de diploma?”,

Concluindo que “rever e reforçar os valores e as práticas do jornalismo como serviço público é central para a vida em sociedade e será a tarefa mais produtiva realizada” até hoje.