Os investigadores do Ministério Público austríaco, responsável por crimes económicos e corrupção, querem apurar se Sebastian Kurz subornou os donos de poderosos meios de comunicação. O procurador suspeita que o ex-político tenha comprado, entre 2017 e 2021, com dinheiro público, lucrativos espaços publicitários nestes jornais, em troca de publicações que favorecessem a sua imagem.

Assim, no primeiro dia de abril, no coração de Viena, jornalistas do Kronen Zeitung, o maior diário de notícias da Áustria (com dois milhões de leitores), foram surpreendidos pela presença da polícia.

Durante várias horas, as autoridades austríacas, vasculharam, de cima a baixo, as redacções do jornal político/económico, localizado a poucos passos do Danúbio. Ao mesmo tempo, a seis quilómetros de distância, decorriam, também, outras buscas, desta vez nas dependências do jornal gratuito Heute, também pertencente à abastada família Dichand.

A investigação gira em torno de declarações feitas por Thomas Schmid, ex-chefe do gabinete do Ministério das Finanças e assessor de confiança de Kurz. Supostamente, a editora da Heute, Eva Dichand, falou com Schmid, para ajudar a garantir uma cobertura positiva sobre Kurz, embora Dichand negue essas afirmações.

O Gabinete do Procurador para Assuntos Económicos e Corrupção quer, agora, rever todos os anúncios publicados pelo Ministério das Finanças nos últimos anos, já que existem outros meios de comunicação social que também estão sob suspeita.