Segundo Audrey Azoulay, directora-geral da UNESCO, "as autoridades devem redobrar os seus esforços para acabar com esses crimes e garantir que os seus autores são castigados, porque a indiferença é um factor importante neste clima de violência".

Estes números chamam à atenção para as deficiências no estado de direito em todo o mundo. Destacam, também, o fracasso dos Estados em cumprir as suas obrigações de proteger os jornalistas e prevenir e processar os crimes cometidos contra todos os profissionais ligados à informação, diz a UNESCO.

Embora todas as regiões tenham sido afectadas, a América Latina e o Caribe foram os que mais eliminaram jornalistas em 2022, com 44 homicídios. A Ásia e o Pacífico registaram 16 assassinatos, enquanto onze ocorreram na Europa Oriental. Os países com mais mortais foram o México (19 assassinatos), Ucrânia (10) e o Haiti (9).

Aproximadamente, metade dos jornalistas mortos estavam de folga no momento do ataque, a viajar, em casa, em estacionamentos e outros locais públicos. Isso significa que não há espaços seguros para os jornalistas, nem mesmo nas horas vagas.

Embora os assassinatos em países em conflito tenham subido para 23 em 2022, em comparação com 20 no ano anterior, o aumento global observou-se, principalmente, a assassinatos em países sem conflitos armados, diz a Unesco. Esse número quase duplicou, de 35 casos em 2021 para 61 em 2022, representando três quartos de todos os assassinatos de profissionais no ano passado.

Os jornalistas foram vítimas de represálias por cobrirem o crime organizado, conflitos armados, a ascensão do extremismo e temas delicados como a corrupção, crimes ambientais, abuso de poder e manifestações.