Segundo este texto  - de uma série publicada no NiemanLab, sobre “Previsões para o Jornalismo em 2018” -  a narrativa dominante sobre a “disrupção tecnológica” sobrestimou o poder da tecnologia e subestimou, pelo outro lado, “a atitude interpretativa dos consumidores de notícias”. 

Há um novo cepticismo sobre a agenda dos meios de comunicação. Uma das entrevistadas afirma: “Quando eu era mais nova confiava implicitamente, o que não era provavelmente uma boa ideia, agora que olho para esse tempo. Alguma da minha confiança nas notícias e na comunidade noticiosa já não é o que era dantes. Fico a pensar no que eles deixam de fora.” 

Diz outra pessoa: “Eu penso que houve uma mudança no noticiário, e sinto que, seja o que for que se escute, ele não nos oferece inteiramente os dois lados [da questão]. Dá-nos um só modo de olhar para o assunto e não nos torna, de facto, pensadores críticos.” (...) 

Há também cepticismo sobre a informação que se encontra nas redes sociais. Um dos inquiridos comenta que “no Facebook é difícil decifrar o que é real e o que não é”, e outro acrescenta: “Eu conheço muito bem os hábitos de posting dos meus amigos, e é por causa disso que ignoro três quartos do que lá aparece.” 

O que o estudo revela, em consequência disto, é que os leitores e ouvintes estão agora mais atentos à proveniência e tratamento da informação que consomem, e muitos procuram deliberadamente diversas fontes  -  fazem o seu próprio fact-checking... 

“Eu não tenho muito o hábito de partilhar notícias, mas quando o faço tento ler três ou quatro artigos sobre o mesmo tema. Geralmente vou ‘googlar’ o assunto, só para ter um [mais completo] conceito dele.” (...) 

Pablo Boczkowski afirma que esta “revolução nas práticas interpretativas” pode tornar-se uma “fonte de anticorpos colectivos contra os perigos da desinformação”. E conclui: 

“Pelo facto de emergirem organicamente de dentro do tecido social, estes anticorpos interpretativos vão ser mais duráveis do que quaisquer acertos técnicos, bem como um complemento necessário à sua possível eficácia. Ao contrário da tecnologia, a cultura muda lentamente. Mas quando isso acontece, as consequências da mudança permanecem por muito tempo. Portanto, aqui vai um brinde a um ano de 2018 cheio de leituras cépticas das notícias!” 

 

O texto citado, na íntegra, no NiemanLab