Pouco mais de dois anos depois de mudar de dono, foi agora a vez do The Washington Post mudar de casa.

A busca de novas instalações começou antes da venda do jornal, em Outubro de 2013, por 250 milhões de dólares, ao fundador e CEO da Amazon, Jeff Bezos, detentor de uma fortuna avaliada em 52 mil milhões de dólares - a quarta maior do mundo segundo a  Bloomberg.  

 

O The Washington Post deixou finalmente em Dezembro a sua sede dos últimos quatro decénios e assinalou oficialmente a sua transferência para a nova morada (a sétima desde a fundação do jornal em 1877) com uma festa de inauguração no dia 28 de Janeiro.

 

A ocasião serviu também para comemorar a libertação de Jason Rezaian, correspondente do jornal em Teerão, preso durante ano e meio no Irão, e libertado poucos dias antes. Transportado para a Alemanha com outros presos americanos, Bezos fez questão de ir buscá-lo e trazê-lo para Washington no seu jacto particular.  

 

A festa de inauguração permitiu aos convidados - entre os quais se contavam John Kerry, Secretário de Estado americano, os governadores dos estados da Virgínia e do Maryland, e a “mayor” de Washington -  uma apreciação directa do novo meio ambiente para onde se mudou desde há um mês um ensaio de transformação, em curso desde há dois anos, de um grande diário impresso século XX, para uma empresa tecnológica multi-media do século XXI.

 

A experiência do The Washington Post, não sendo inédita, está a ser acompanhada com grande interesse e expectativa por jornalistas americanos e do resto do mundo, por razões compreensíveis.

 

Primeiro, porque está a ser liderada por um dos expoentes máximos do comércio electrónico. Segundo, porque a começar pela compra do jornal há dois anos, em nome pessoal, e através dos investimentos feitos desde então, incluindo na nova sede, Bezos tem demonstrado que não serão regateados ao jornal os meios necessários ao êxito da sua aposta.

 

Os primeiros resultados são encorajadores: segundo a comScore, o The Washington Post fechou o ano de 2015 à frente do seu rival número um, o The New York Times, com 76 milhões de visitantes digitais em Dezembro. Para isso contribui, certamente, a sua política de acesso digital grátis.

 

Dentre as várias alternativas de novas instalações, que incluiram construção de um novo edifício num subúrbio de Washington, Bezos acabou por decidir que a continuação do jornal no centro da capital, próximo dos centros políticos de decisão, das sedes de associações nacionais, dos escritórios representantes de grandes empresas e dos principais “think tanks”, era imperativa. Optou finalmente por um edifício de 12 andares dos anos 80, conhecido por One Franklin Square, propriedade da imobiliária Hines de Houston (Texas), a quatro quarteirões da antiga sede, ocupado na sua maior parte por escritórios de advogados.

 

O jornal alugou nesse edifício, por 16 anos, 22.500 metros quadrados, distribuídos por seis andares na ala oeste do prédio e dois andares na ala leste.

 

Seguiram-se extensas obras de remodelação, com demolição de paredes interiores, que permitiram a junção do sétimo e oitavo andares de ambas as alas, e a criação de dois salões “open-space” para a redacção, ligados por uma escadaria interior, com um total de 5.600 metros quadrados, onde trabalham cerca de 700 jornalistas e 250 engenheiros informáticos que os apoiam na disseminação do conteúdo pelas várias plataformas digitais.

 

A remodelação foi executada sob supervisão da empresa de arquitectura M. Arthur Gensler Jr. & Associates, Inc., de S. Francisco, responsável também pelas novas instalações das delegações da Associated Press, The New York Times e Los Angeles Times em Washington.

 

Nas paredes da redacção são visíveis monitores de televisão de grande dimensão, que exibem contínuamente videos noticiosos do jornal e gráficos analíticos da audiência dos artigos, notícias e reportagens produzidos pelos jornalistas.

 

Os quatro antigos edifícios, na esquina da 15th Street NW com a L Street, foram vendidos por 159 milhões de dólares pela Graham Holdings Company (anterior proprietária do jornal) à Carr Properties, que entretanto já concluiu acordo com a Federal National Mortgage Association, conhecida por Fannie Mae, para construir no mesmo local, e alugar a esta última, uma nova sede da empresa, com um total de cerca de 80 mil metros quadrados.

 

O antigo complexo do The Washington Post, onde chegaram a trabalhar 4.000 empregados, fora construído para albergar não apenas a redacção e escritórios, mas também as impressoras, que antes da era digital tiravam um milhão de exemplares por dia. O jornal deixou de ser impresso nas antigas instalações no final do século passado.