Restrições em Moçambique condicionam liberdade de imprensa
Desde que foi instituída a Constituição Democrática em 1991, que a imprensa moçambicana tem vindo a focar-se em temas de corrupção, de direitos humanos, de liberdade de imprensa e de expressão.
No entanto, e apesar dos esforços dos jornalistas, a actividade dos “media” continua a ser restringida pelas autoridades, que ameaçam profissionais independentes.
Este panorama foi debatido pelo jornalista Celestino Joanguete, em entrevista para o “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Joanguete -- que é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Fernando Pessoa, em Portugal, e Doutor na mesma área pela Universidade do Minho -- destaca, neste sentido, que “os serviços públicos da rádio e televisão gozam de maiores privilégios”, já que a sua linha editorial é controlada pelo Estado.
Por outro lado, os jornalistas independentes são alvo de constantes ameaças e perseguições.
“Os jornalistas são privados de exercer as suas actividades jornalísticas” e de reportar “ameaças e expulsão de jornalistas estrangeiros”, afirmou Joanguete.
“Um caso recente envolveu a expulsão do jornalista britânico Tom Bowker, da Zitamar News. Em causa, está a ‘motivação política’, mas o governo alega a expulsão pela falta de documentos que comprovem a existência do órgão Zitamar”, notou.
Além disso, Joanguete alertou para o assédio de jornalistas de rádios locais e comunitárias, considerados “media” essenciais para as comunidades rurais do país.
Abril 21
“Por exemplo, em 2017, os jornalistas da rádio comunitária de Morrumbene, na província de Inhambane, receberam ameaças de morte por terem divulgado uma informação sobre roubos protagonizados por (...) um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), afecto ao comando distrital”.
Estas restrições, sublinhou Joanguete, reflectiram-se, igualmente, na cobertura mediática da pandemia.
“No início, havia uma tendência de politização da Covid-19, crescente desinformação sobre a pandemia, massificação de reportagens de pânico e medo”.
“ Por um lado, os políticos usaram o tema da Covid-19 para acções populistas de ‘salvadores’ da saúde do povo”.
“Por outro, a proliferação das ‘fake news’, quer nos jornais, quer nas redes sociais” foi um verdadeiro obstáculo para os jornalistas, por falta de fontes de informação credíveis.
Ainda assim, Joanguete afirma que a comunicação digital tem vindo a registar alguns progressos em Moçambique, o que se reflecte na liberdade de expressão dos cidadãos.
Por isso mesmo, este jornalista acredita que a formação de futuros profissionais deve focar-se na tecnologia, para que os jovens se adaptem às necessidades do futuro.
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