Relatório atribui desinformação à displicência dos utilizadores das redes sociais
O principal motivo para a partilha de desinformação é a falta de atenção dos utilizadores das redes sociais, concluiu o estudo “Shifting attention to accuracy can reduce misinformation online”.
De acordo com este relatório -- desenvolvido por investigadores dos EUA, Canadá, México e Reino Unido -- cerca de 51% dos utilizadores partilham notícias falsas porque não estão atentos.
Além disso, este estudo indica que uma simples intervenção nas plataformas pode minimizar, substancialmente, a disseminação deste tipo de conteúdos.Em entrevista para o “site” do “Nieman Lab”, um dos co-autores do estudo, Gordon Pennycook, explicou que “as pessoas têm capacidade para distinguir entre conteúdos verdadeiros e falsos”, mas que, muitas vezes, não fazem este tipo de análise antes de partilhar artigos nas redes sociais.
As conclusões basearam-se na realização de inquéritos e de experiências, junto de utilizadores das redes sociais Twitter e Facebook.
Em algumas destas experiências, os investigadores pediram aos participantes que avaliassem a veracidade de determinados conteúdos.
Metade do conteúdo era favorável ao Partido Democrata, e a outra metade favorecia o Partido Republicano.
Na experiência final, os investigadores enviaram mensagens privadas a 5379 utilizadores do Twitter que haviam partilhado, anteriormente, informação falsa.Os investigadores verificaram, depois, que apenas 33,1% dos utilizadores publicaram notícias falsas por não se aperceberem das suas imprecisões.
Março 21
Por outro lado, mais de 50% dos participantes partilharam estes conteúdos porque não prestaram atenção suficiente.
Além disso, cerca de 60% dos cidadãos disseram valorizar a veracidade das notícias, em detrimento do seu cariz militante ou partidário. Com isto, o estudo concluiu, igualmente, que o favorecimento dos partidos é um motivo secundário para a disseminação de “fake news”.
Ademais, os investigadores acreditam que o “design” das redes sociais poderá influenciar a partilha instantânea de conteúdo, já que incentiva as interacções rápidas.
Os responsáveis pelo estudo apontaram, ainda, que os utilizadores têm menor propensão para voltar a publicar histórias falsas, quando alertados por terceiros.
Posto isto, os investigadores recomendam que os responsáveis pelas redes sociais estabeleçam um papel mais activo no combate às “fake news”, através de interacções com os seus utilizadores.
A inteligência artificial (IA) está a transformar profundamente o trabalho jornalístico, mas nem sempre de forma linear. No Reino Unido, profissionais dos media descrevem-na como...
Apesar de nunca termos tido tanto acesso à informação, compreender o que realmente se passa no mundo tornou-se mais difícil. Entre algoritmos, redacções em declínio e a proliferação da...
As redacções sem fins lucrativos, sobretudo aquelas com enfoque digital, têm vindo a ganhar relevância no mundo mediático, mas permanecem ainda muito aquém da capacidade financeira que...
A profissão de jornalista em Portugal enfrenta um dos momentos mais críticos das últimas décadas. A crise financeira dos media, a precariedade laboral e uma crescente perda de identidade e...
A maioria dos jornalistas em Portugal já recorre à inteligência artificial (IA) no seu trabalho diário, mas persistem receios significativos quanto aos efeitos desta tecnologia na confiança no...
Quando surge uma notícia de última hora, os norte-americanos recorrem a um leque cada vez mais diversificado de fontes de informação. De acordo com um inquérito realizado em 2025...
Na indústria jornalística, há muito que os dados apontam para uma realidade incontornável: jovens e adultos mais velhos consomem informação de formas distintas. Contudo, um novo relatório,...
A percepção de que os meios de comunicação contribuem para intensificar sentimentos de medo e apreensão na sociedade espanhola é uma das principais conclusões do “Estudo sobre...