Quando o jornalista deve ponderar os riscos de contágio
As crises, independentemente de sua génese ou da sua natureza, trazem prejuízos e oportunidades. Em período de pandemia de Covid-19, se, por um lado, se estabeleceram sinergias entre os jornalistas, por outro, os “media” são ainda movidos por estereótipos que colocam os profissionais em risco, considerou Fernando Moreira, num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”.
De acordo com Moreira, o principal estereótipo, ainda em vigor, é o de que o lugar dos repórteres deve ser na rua, mesmo quando as mudanças tecnológicas trouxeram uma nova “interface” ao mundo, tornando desnecessária a exposição dos profissionais ao risco de contágio.
De acordo com o autor, há situações em que as reportagens presenciais são essenciais, como uma conferência de imprensa com o Presidente da República, ainda que, mesmo esses eventos já possam realizar-se de forma remota.
Para o trabalho rotineiro, contudo, estar na rua não parece razoável. Até porque a redução de equipas de reportagem no exterior contribuiría para o esforço colectivo de contenção da pandemia.
Abril 20
Moreira defende que, hoje em dia, existem já meios suficientes para se fazer jornalismo remoto de qualidade, seja em TV, rádio, jornal ou no formato “online”. Não há, contudo, uma cultura corporativa para tanto. Trabalhar em casa pode, ainda, parecer um “benefício” para os colaboradores, quando, neste momento, deveria ser a regra geral.
É importante descristalizar a ideia de que os repórteres se devem colocar, constantemente, em situações de risco.Em particular, num panorama como o actual, em que essas práticas podem contribuir para agravar o contágio.
Assim, compete às redacções discutir alternativas, um jornalismo com menos qualidade técnica, mas recheado de informações de qualidade em formato remoto. Para o autor este deveria ser um momento de reflexão sobre as práticas e responsabilidades dos jornalistas, que vão além da notícia.
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