Quando o Carnaval e os “media” brasileiros se aliaram para esconder a chegada do covid
No Brasil, o coronavírus só começou a ser abordado, com seriedade, após as festividades carnavalescas, apesar de o primeiro caso da doença, naquele país, ter sido registado em Janeiro, denunciou o advogado Gilberto Garcia num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Garcia cita o jornal “Folha de S. Paulo” para provar que o “Coronavírus chegou ao Brasil antes do que se sabia, em Janeiro” e que “a primeira pessoa a morrer de Covid-19 faleceu no Rio de Janeiro, na quarta semana epidemiológica, entre 19 e 25 de Janeiro. E a transmissão local ou comunitária já estava em curso em São Paulo, em 4 de Fevereiro, muito antes de 13 de Março, data dos registos oficiais”.
De acordo com o autor, isto aconteceu porque os “media” apoiam e patrocinam os festejos do Carnaval -- celebrados, este ano, entre 21 e 29 de Fevereiro -- nas grandes capitais do país. Assim, preferiram prestar um “desserviço” à comunidade, a promover comoção e medo na participação, o que poderia ter causado imensos prejuízos financeiros.
Garcia destaca, neste sentido, as redes de televisão, que detém os direitos autorais de transmissão dos desfiles das escolas de samba e dos blocos carnavalescos.
Da mesma forma, o autor recorda, também, que os “media” têm acesso a fontes privilegiadas em quaisquer questões que envolvam, sobretudo, a segurança e a saúde pública dos cidadãos, e, são, consequentemente, obrigados a adoptar medidas para atenuar, mitigar ou amenizar fenómenos prejudiciais.
Dezembro 20
O advogado nota, igualmente, que, de acordo com alguns relatórios, se o país tivesse adoptado medidas preventivas no final de Janeiro, ter-se-iam evitado o “desgaste” do Sistema Público de Saúde e inúmeros óbitos.
Além disso, o autor sustenta que a maioria dos “media” continua a adoptar uma versão falaciosa, que mantém o conveniente marco histórico do início da crise sanitária, em 25 de Fevereiro de 2020.
Dito isto, o autor espera que o Brasil, enquanto sociedade civil, identifique as responsabilidades dos Agentes Públicos, e, dos Agentes Privados, pela sua ineficácia e/ou ineficiência, durante o Estado de Calamidade Pública, expondo a riscos previsíveis e desnecessários a população do país.
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