Provedor dos leitores do “Público” diz que a lei “em nada deslustra o Dr. Salazar”
A promulgação da Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital -- que prevê o combate das “fake news” e a protecção dos cidadãos portugueses do espaço “online” -- está a demonstrar-se controversa, já que, de acordo com alguns comentadores, reintroduz a censura na legislação portuguesa.
O provedor do leitor do “Público”, José Manuel Barata-Feyo, inclui-se nesse grupo, ao fixar, na edição de 29 de Maio do jornal, um paralelismo entre a censura do Estado Novo e aquela e a Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital.
Conforme indica o provedor do leitor do “Público”, a nova lei consegue disfarçar, “pomposamente”, a intenção de censura, ao indicar que “o Estado apoia a criação de estruturas de verificação de factos por órgãos de comunicação social devidamente registados e incentiva a atribuição de selos de qualidade por entidades fidedignas dotadas do estatuto de utilidade pública”.
De acordo com a mesma lei, recorda o autor, o objectivo destas medidas passa por defender a opinião pública contra a “desinformação”, que “seja susceptível de causar um prejuízo público, nomeadamente ameaça aos processos políticos democráticos, aos processos de políticas públicas e a bens públicos”.
Posto isto, Barata-Feyo conclui, ironicamente, que esta censura se assume como “boa”, já que “emana de uma democracia” e é exercida “a posteriori”, considerando que "em nada deslustra o Dr. Salazar".
Junho 21
Além disso, ressalva o autor, ao contrário da “censura má” -- praticada “por um coronel equipado com o célebre lápis azul” -- na “censura boa”, as estruturas de “verificação de factos” serão implementadas por jornais “devidamente registados”: “Acção Socialista”, órgão oficial do PS, “Avante”, do PCP, e “Povo Livre”, do PSD.
Ademais, as queixas sobre “notícias falsas” serão analisadas por uma “entidade fidedigna" com “estatuto de utilidade pública” aplicado pelo Governo “que terá a seu cargo consagrar -- ou não -- com um selo de credibilidade a coisa publicada e quem a publica”, sublinha Barata-Feyo.
Assim, o autor considera que “esta lei, que parece caída do céu”, “em nada deslustra o Dr. Salazar”, apesar de ter resultado de uma intenção europeia de “combate contra a desinformação”.
Uma percentagem crescente de norte-americanos afirma que toma conhecimento das notícias de forma acidental, através de conteúdos que encontra enquanto navega online, em vez de procurar...
O Grupo TF1 registou uma quebra nos resultados no primeiro trimestre de 2026, num contexto marcado pela desaceleração do mercado publicitário televisivo em França. Apesar da descida das...
À medida que aumentam as ameaças à liberdade de imprensa nos Estados Unidos, estudantes de jornalismo e responsáveis por meios universitários estão a rever práticas editoriais...
Embora se definam apenas como plataformas tecnológicas, as redes sociais influenciam as opiniões pessoais. Os especialistas em comunicação, como Rasmus Kleis Nielsen, autor do artigo News as a...
De acordo com Carlos Castilho, do Observatório de Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém uma parceria, o jornalismo enfrenta, actualmente, dois grandes desafios, nomeadamente,...
Num texto publicado no media-tics, o jornalista Miguel Ormaetxea, reflectiu acerca da receita de publicidade digital dos media, que, em grande parte, fica nas mãos de grandes empresas de tecnologia,...
Num texto publicado na revista ObjETHOS, um dos seus pesquisadores, Raphaelle Batista, reflectiu sobre o papel que o jornalismo teve no Brasil durante 2022, assim como o que deve ser mudado.
Batista...
O Journalism Competition and Preservation Act (JCPA), um projecto de lei que pretendia “fornecer um 'porto seguro' por tempo limitado para algumas organizações de notícias negociarem...
Algumas organizações criaram um novo guia, Dimensions of Difference, para ajudar os jornalistas a entender os seus preconceitos e a cobrir melhor as diferentes comunidades. Este projecto baseia-se...