As polémicas em volta deste assunto são recentes e têm a ver com eleições e referendos. Já foi demonstrado que, “beliscando os algoritmos na fonte do fluxo noticioso do Facebook, é possível influenciar o sentido dos votantes nas eleições americanas”. Já agora, “se Mark Zuckerberg quiser algum dia concorrer à Presidência, teoricamente teria uma ferramenta com um poder enorme à sua disposição”... 

Sobre a questão da justiça e imparcialidade dos algoritmos, o autor do artigo que citamos conta dois episódios de possível discriminação racial  -  um deles é a “análise de risco” calculada para outorgar a saída condicional de um preso, ou os tempos de espera da Uber em Washington, num bairro maioritariamente branco ou não. 

“Há uma quantidade de jornalismo de investigação que ainda pode ser feito neste campo. De modo geral, tentando ‘picar’ os algoritmos para ver como respondem  - fazendo a relação entre consequência e causa [output & input, no original] -  podemos tentar perceber de que modo eles funcionam. Jornalistas de investigação podem entrar neste jogo, recolher e analisar os dados e determinar se os resultados são justos ou discriminatórios. Ou talvez eles conduzam a outras consequências negativas ou indesejáveis  -  censura, atropelo da lei, violações de privacidade ou previsões falsas.” (...) 

“Mas talvez seja mais importante e necessário interrogarmo-nos sobre quais são as nossas expectativas. O que é que consideramos serem algoritmos ‘justos’? Pessoas diferentes vão ter leituras diferentes sobre isso, mas talvez não devamos deixar que continuem a ser os algoritmos a decidir por nós.” 

No final da sua reflexão, Nicholas Diakopoulos deixa aos jornalistas interessados nesta matéria a sugestão de um site com boas “dicas”, só para começar:  algorithmtips.org


O artigo original, reproduzido na Global Investigative Journalism Network