Organizações sem fins lucrativos para combater “desertos noticiosos”
Os “desertos noticiosos” nos EUA podem ser combatidos com empresas que queiram servir as comunidades e profissionais que estejam dedicados à verdadeira missão do jornalismo, defenderam Ellen Clegg e Dan Kennedy num artigo publicado no “Nieman Lab”.
Segundo recordaram os autores, desde 2004, foram encerradas 2100 redacções locais nos EUA, o que prejudicou a pluralidade informativa em diversas comunidades.
Contudo, Clegg e Kennedy acreditam que este problema pode ser resolvido, caso os negócios passem a ser controlados por empresas sem fins-lucrativos, em detrimento de organizações que deixam a informação para segundo plano.
Os autores destacaram, neste sentido, alguns projectos que, mesmo perante as dificuldades impostas pela pandemia, conseguiram inovar a sua estratégia editorial e continuar a servir as suas comunidades, com informações de confiança.
Clegg e Kennedy recordaram, neste âmbito, o caso do “MinnPost” lançado, em 2007, por um grupo de jornalistas.
Esta organização sem fins lucrativos começou por ser financiada por quatro famílias. Contudo, com o passar do tempo, e à medida que o projecto foi ganhando mais leitores, novas fundações passaram a apoiar a iniciativa.
Mais tarde, o projecto foi comprado por um empresário de sucesso, o que permitiu que o “MinnPost” passasse a assemelhar-se a uma organização noticiosa tradicional, com grandes reportagens sobre acontecimentos locais, análises e outras investigações em profundidade.De acordo com os autores, o “MinnPost” assume-se, assim, como um exemplo a seguir por jornalistas e empresários que queiram manter viva “a chama do jornalismo local”.
Maio 21
Clegg e Kennedy destacam, igualmente, o “Mendocino Voice”, lançado, em 2016, por duas jovens jornalistas.
Durante os últimos cinco anos, a “publisher”, Kate Maxwell, e a editora-executiva, Adrian Fernandez Baumann, conquistaram o público graças às suas reportagens sobre fenómenos naturais e conteúdos multiplataforma.
Agora, as responsáveis estão a reorganizar-se para formar uma organização cooperativa, de forma a que o público passe a deter controlo sobre algumas das decisões editoriais do projecto.
Com isto, as profissionais esperam garantir a sustentabilidade da iniciativa.
Perante estes exemplos, os autores têm esperança que a verdadeira essência do jornalismo possa vir a restabelecer-se nos EUA, primando pelo serviço à comunidade, em detrimento do lucro.
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