O “Manifesto do Jornalismo” para as novas práticas da era digital
Os investigadores académicos Barbie Zelizer, Clarence Anderson, e Pablo J. Boczkowski juntaram-se para publicar o livro “The Journalism Manifesto”, a fim de alertar para a necessidade de introduzir medidas profundas nos procedimentos, regras e valores nos “media” da era digital.
Conforme apontou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, -- com o qual o CPI mantém um acordo de parceria-- , neste livro, cujo lançamento está agendado para Dezembro, os autores defendem que é preciso repensar a profissão como um todo.
Mais concretamente, explicou Castilho, os investigadores acreditam que os jornalistas devem aceitar que as mudanças introduzidas pela era digital são irreversíveis e que, por isso, terão que modificar o seu “modus operandi”, esquecendo antigos hábitos e rotinas.
Neste sentido, os autores do “Journalism Manifesto” afirmam que os profissionais dos “media” devem ter em atenção diversas características do jornalismo contemporâneo, de forma a garantir que a imprensa continua a desempenhar um papel relevante na vida dos cidadãos.
Em primeiro lugar, os autores alertam para o facto de a notícia ser, agora, algo fluído, que pode ser sujeito a alterações constantes. Por isso mesmo, o conceito de autoria foi, também, modificado, já que diversos jornalistas podem contribuir para um mesmo artigo.
Outro dos aspectos a ter em conta é a necessidade de os jornalistas realizarem “fact-checkings” constantes, devido à rápida disseminação de notícias falsas por via das redes sociais.
Novembro 21
Aliás, a partilha de “fake news” por via digital significa, igualmente, que os profissionais dos “media” passaram a ter que desempenhar o papel de “information coaches”, realizando a curadoria de conteúdos relevantes.
Perante as sugestões apontadas pelos autores do “Journalism Manifest”, Castilho sublinha que a reinvenção da profissão não será uma tarefa fácil e dependerá, por isso, de um esforço colectivo e contínuo.
Ainda assim, Castilho alerta que, perante as constantes modificações do ecossistema digital, nenhuma resposta é definitiva. Por isso, conclui, os jornalistas deverão mostrar-se flexíveis e adaptáveis.
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