O jornalismo não pode vacilar na cobertura de ameaças à democracia
A cobertura da imprensa sobre a polarização política contribui ou não para deteriorar a confiança na democracia entre leitores, ouvintes, telespectadores e utentes de redes sociais?
Carlos Castilho no seu artigo publicado no Observatório da Imprensa do Brasil responde à questão do seguinte modo: “Se há pouco mais de sete anos a questão dividiu os académicos, hoje tornou-se num assunto de conversas de botequim, dada a enorme relevância que o tema passou a ter no quotidiano de todos nós”
Assistimos a uma intensificação do antagonismo entre “nós” e “eles” o que, segundo Castilho, ameaça gravemente o princípio da tolerância e respeito por opiniões contrárias, no sistema democrático.
Embora o jornalismo não seja o único e nem o maior responsável pela polarização das visões de mundo que ameaça os princípios básicos de uma sociedade democrática, é certamente um dos seus componentes essenciais. As pessoas informam-se através dos meios de comunicação e dos dados, factos, eventos e ideias que recebem dos média e alimentam o processo de produção de conhecimento que move as nossas vidas.
Objecto de polémica é a forma como o jornalismo pode evitar a progressão descontrolada do fosso político/ideológico entre visões diferentes do ambiente social em que vivemos. Narrativas e informações que reforçam as bolhas informativas, quando publicadas pela imprensa sem a necessária contextualização e verificação, tendem a gerar condutas antidemocráticas na população. Este fenómeno agravou-se com a internet.
A inovação tecnológica provocou transformações radicais no exercício do jornalismo, o que levou a profissão a viver uma situação inédita nas coberturas relacionadas com vigência do sistema democrático em boa parte do mundo contemporâneo. Duas questões passaram a ser decisivas na forma como repórteres, editores e comentaristas participam na polêmica sobre o futuro da democracia: a preocupação com a veracidade de informações num ambiente polarizado; e a diferenciação clara entre informação e marketing político.
Outubro 22
Para restabelecer o papel central do jornalismo como função de interesse público é indispensável que os profissionais e as empresas passem a dar prioridade absoluta à busca da veracidade dos dados, factos e eventos publicados nos meios de comunicação de massa. Isto significa abandonar a actual agenda de notícias, trocar o imediatismo pela contextualização e priorizar a relação com o público. Não é uma decisão fácil porque o ritmo frenético no fluxo de informações que circulam nos média e nas redes sociais supera a capacidade do jornalismo de verificação da veracidade de tudo o que é noticiado. Assumir uma postura reflexiva e moderadora no meio de uma conjuntura polarizada implica mudanças de rotinas, normas e valores que a maioria dos profissionais ainda resiste em incorporar no seu dia a dia.
O outro dilema enfrentado pelo jornalismo nesta era de polarização político/social é ainda mais complexo porque envolve posicionamentos diante da nova forma como são criadas percepções de factos, dados e eventos.
Antes da internet, quando a circulação de notícias era relativamente escassa, as pessoas podiam reflectir sobre o que estava a acontecer num ambiente informativo bem menos caótico do que o actual. Com a internet surgiu a avalanche informativa que provocou uma mudança radical no comportamento do público.
A análise dos factos foi substituída por impressões, já que o fluxo noticioso deixou as pessoas sem tempo para pensar. As opiniões passaram a ser formadas pela acumulação de dados inculcados na mente dos leitores, ouvintes, telespectadores e utentes de redes sociais.
O jornalismo, mostra-se muito lento na identificação desta mudança que obviamente, afecta os processos de produção e publicação de notícias, ainda mais quando os robôs eletrónicos multiplicam as postagens antidemocráticas as redes sociais.
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