Tal como indica a investigadora Amanda Tavares Diniz, as agências de “fact-checking”, nascidas nos EUA com o virar do milénio, caracterizam-se, de uma maneira geral, por “investir na especialização e na produção de conteúdo de nicho. A sua maioria, possui uma área de actuação bastante segmentada, partilhando os textos, exclusivamente, na internet”.

Essa formatação é, segundo o editor do Observatório, Pedro Varoni, o problema central dessas empresas: a circulação dos pareceres que emitem tende a ser muito mais restrita do que a das potenciais “fake news” que analisam. 


Outra questão relevante levantada por Varoni diz respeito ao formato narrativo dos textos produzidos, que tendem à repetição de “lugares comuns”, como “a notícia é falsa”, “é verdadeira” ou “verdadeira, com ressalvas”. 

Para Maurício Caleiro é, ainda, essencial, rever o método de selecção das notícias a serem verificadas, em função da objectividade: se os critérios não forem bem definidos os leitores poderão denunciar práticas tendenciosas.


O acompanhamento das principais agências brasileiras sugere, ainda, que os critérios de seleção das notícias, objecto de análise, carecem de sistematização, visto, não poucas vezes, as notícias eleitas para verificação, são aquelas cujo conteúdo é, claramente, falso.


Dito isto, Caleiro, sugere que o aperfeiçoamento  do modelo de actuação das agências, deve passar não só pela cobertura de casos de desinformação, mas, ainda, pelo desmantelamento dos métodos utilizados para as produzir e disseminar “fake news” nas redes sociais, que, por serem encriptadas, dificultam a acção dos “fact-checkers”.


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