Magazines online norte-americanos experimentam versões em papel
O artigo, da jornalista e investigadora Chava Gourarie, trata principalmente do que se passa com as revistas de qualidade, muitas das quais tinham passado a sair online ou até deixado de ser publicadas. “Agora, vinte anos entrados na revolução digital, o texto impresso está como que de regresso. A Tablet, Politico e The Pitchfork Review estão entre as publicações digitais de sucesso que se arriscaram a vir para a impressão. Nautilus, Kinfolk e a California Sunday Magazine fizeram o seu lançamento em papel nos últimos anos, e as suas audiências são entusiásticas e estão a crescer.”
O caso mais recente é o da revista Tablet, apresentada como “um magazine digital para judeus curiosos (e os seus amigos), que anda por cá desde 2009 e lançou a sua primeira edição impressa em Novembro.” A chefe de redacção, Alana Newhouse, diz que determinados textos, incluindo a ficção e notícias e peças de cultura mais “profundas”, funcionam melhor em papel. “Eu acho que a Internet não ‘metaboliza’ adequadamente certas espécies de textos” - acresenta.
“Alguns dos nossos melhores conteúdos merecem ficar por algum tempo na banca dos jornais, ou na mesa de café de uma pessoa” - diz Mark Oppenheimer, o director da Tablet. “Uma peça capaz de alterar perspectivas vale mais para 10.000 leitores em texto impresso do que na forma de uma breve distracção para 100.000 online” - diz ainda.
Samir Husni, um professor da Universidade do Mississippi conhecido na Net como Mr. Magazine, previu a recuperação do texto impresso e trata deste fenómeno, falando de mais de 200 magazines impressos, lançados em 2015. Ele diz que aqueles que deixaram o texto impresso, seduzidos pela promessa do digital, começam agora a ficar arrependidos: “O texto impresso é a esposa fiel. Noventa e cinco por cento do dinheiro está no impresso.”
Outra vantagem do impresso sobre a Web, diz Alana Newhouse, da Tablet, é que não tem de agradar a toda a gente. De facto, é melhor que não o faça. “Este magazine pode não ser para si” - diz ela no seu editorial da primeira edição impressa. Em última instância, magazines com um conteúdo direccionado para leitores realmente interessados nele reforçam “um sentido forte de comunidade”.
O artigo de Chava Gourarie conclui: “Ironicamente, é a velha guarda que pensa que a mudança para a impressão é uma loucura. ‘Eles acham que é retrógrado’ - diz Alana Newhouse - ‘Eu acho que é inovador’.”
O artigo "Print is the new 'New Media'"