Liberdade de imprensa comprometida devido à propriedade dos “media” checos
A República Checa caiu 27 lugares, em cinco anos, no índice
da Liberdade de Imprensa elaborado pelos Repórteres Sem Fronteiras, passando do 13º lugar, em 2014, para 40º, em 2019.
De facto, o primeiro-ministro, Andrej Babiš, era o proprietário – e ainda é o “proprietário fantasma” – de 30% dos meios de comunicação privados no país.
Por isso, várias associações internacionais de jornalistas e de media, além dos RSF, produziram um relatório que avaliou a situação da comunicação social na República Checa.
Para esse trabalho foi constituído um grupo que contou com o apoio de jornalistas, editores, directores, professores, políticos e fundadores de media checos, do serviço público e privado.
Apurou-se, com o relatório, que a ligação do primeiro ministro aos media, dos quais é proprietário, é totalmente inadmissível em democracia.
O relatório destacou, também, a facilidade com que o Parlamento e o Governo exercerem pressão sobre os media públicos, através da eleição de administradores executivos, entre outros recursos.
Outubro 19
Todos os elementos consultados convergiram na identificação do primeiro ministro como titular de meios de comunicação privados.
Quando foi eleito para o cargo de primeiro-ministro, Andrej Babiš, transferiu os meios de comunicação que possuía para um fundo, mas, de acordo com os inquiridos, este foi um expediente que continua a favorecê-lo.
A situação representa um grande conflito de interesses. Por esse motivo, o relatório elaborado recomenda que a República Checa reveja a legislação relativa à possibilidade de os membros do governo e os parlamentares serem detentores de meios de comunicação social.
Com base, ainda, no relatório, pode concluir-se que a maioria dos cidadãos checos não tem acesso a uma informação independente e imparcial, expurgada dos interesses políticos em jogo.
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