Jornalistas venezuelanos forçados a serem criativos “fora de portas”
A instabilidade política e social na Venezuela levou muitos jornalistas a radicaram-se em países vizinhos, como forma de garantir a sua segurança e subsistência financeira.
Foi esse o caso de Pierina Sora, uma jornalista de Caracas que, em 2018, se mudou para o Peru. No entanto, esta profissional continua a informar os cidadãos venezuelanos, lutando pela liberdade de imprensa, conforme explicou em entrevista ao “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.
De acordo com Sora, a Venezuela está, de momento, a “atravessar uma complexa crise humanitária”, que levou muitos outros cidadãos a seguirem o seu exemplo, e a mudarem-se para o Peru.
Foi perante este cenário que Sora decidiu criar o projecto “Cápsula Migrante”, um “site” lançado em Maio de 2020, no contexto da crise pandémica, com o objectivo de apoiar “a comunidade migrante”.
Este projecto serve, também, como alternativa aos cidadãos que continuam na Venezuela, e que têm dificuldade em aceder a jornalismo de qualidade, devido às restrições impostas pelo governo.
Tal como explicou Sora, as dificuldades na Venezuela verificam-se tanto a nível de ataques físicos aos colaboradores dos “media”, como na restrição do acesso ao papel para imprimir jornais, e, ainda, no bloqueio da internet.
Assim, o “Cápsula Migrante”, juntamente com outros projectos de jornalismo local e hiperlocal, tem tentado “dedicar-se às comunidades”, dando-lhes poder através da “informação de qualidade”.
Maio 22
De forma a exercerem as suas funções, continuou Sora, os jornalistas são, contudo, obrigados a recorrerem a fontes alternativas, disponíveis nas redes sociais, onde a censura do governo não consegue actuar.
No entanto, explicou aquela profissional, esta via nem sempre funciona, uma vez que a ligação à Internet na Venezuela é “uma das piores da região”, e que alguns cidadãos não têm acesso a “smartphones”.
Sora conclui, por isso, que é necessário continuar a investir em novos projectos, que lutem pela liberdade de expressão e de imprensa. Contudo, o caminho será sinuoso, já que o governo venezuelano parece não querer aligeirar as medidas censórias.
A Venezuela encontra-se em 148º lugar do Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, entre 180 países.
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