Investigadores procuram explicar “fake news” nas redes sociais
O fenómeno da desinformação tem vindo a ser analisado um pouco por todo o mundo, como forma de perceber aquilo que incentiva os utilizadores das redes sociais a partilharem conteúdos noticiosos pouco fidedignos.
No entanto, a maioria destes relatórios apresenta uma lacuna significativa, já que omite a realidade noticiosa e as tendências de consumo informativo do continente africano.
Posto isto, um grupo de investigadores do Nieman Lab entrevistou, entre o final de 2019 e o início de 2020, um grupo de 93 estudantes universitários, de seis países: África do Sul, Gana, Quénia, Nigéria, Zâmbia e Zimbabué.
Com isto, os académicos procuraram analisar os comportamentos “online” destes jovens, as suas práticas de consumo informativo e os seus hábitos de partilha noticiosa nas redes sociais.
Em todos os países, a motivação mais comum para partilhar “misinformação” -- informação falsa, mas que é tomada como verdadeira por quem a dissemina -- estava ligada a um sentido de dever cívico.
Nestes casos, os estudantes sentiam-se obrigados a alertar familiares e amigos, já que as notícias “até podiam ser verdadeiras”. O humor foi, igualmente, identificado como uma das principais razões para a disseminação de “misinformação”.
Por outro lado, as motivações políticas só se manifestaram, de forma significativa, em países como o Zimbabué, onde a pluralidade mediática é limitada.
O estudo indica, ainda, que alguns destes jovens apresentam noções de literacia mediática, conhecendo algumas estratégias para identificar este tipo de conteúdos.
Junho 21
Os estudantes indicaram, por exemplo, que antes de partilharem um determinado artigo, tentam verificar a credibilidade da fonte, dando atenção ao número de seguidores e às interacções com a página.
Ainda assim, alguns dos jovens continuam a partilhá-las. Tudo depende do tópico que é abordado.
Publicações sobre corrupção, burlas, segurança e terrorismo são muitas vezes publicadas -- idependentemente de serem consideradas, ou não, fidedignas pelos utilizadores -- para “chamar a atenção”.
Por outro lado, a maioria dos estudantes afirmou que não partilharia uma peça de índole política.
Desta forma, os investigadores acreditam que as escolas destes países devem introduzir planos de literacia mediática, para que os estudantes passem a ter mais e melhores ferramentas para combater a desinformação e deixem de partilhar, com tanta frequência, “misinformação”.
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