Devido à natureza sensível da história e à localização remota de muitas das reservas, os repórteres passaram muito de seu tempo a estabelecer ligações de confiança com fontes, bem como a descobrir formas chegar ao contacto com pessoas que não possuíam telefones, ou habitação fixa.


Os repórteres analisaram, ainda, uma base de dados do Departamento do Tesouro sobre pagamentos em processos civis, através da qual apuraram que o governo dos EUA pagou 55 milhões de dólares em liquidações a mais de 160 queixosos nativo-americanos, que alegavam práticas irregulares nos hospitais do IHS, durante um período de 13 anos.  Morreram, pelo menos, 66 pacientes.


Através do levantamento de dados oficiais da agência de saúde, e de uma série de entrevistas surpreendentemente francas, a equipa provou que muitos dos problemas registados faziam já parte do sistema e eram conscientemente ignorados.


O trabalho de investigação resultou numa série de reformas importantes, quase imediatas. No dia em que a primeira parte da reportagem foi publicada, o IHS anunciou uma revisão imediata das suas políticas, exigindo que os funcionários comunicassem as suspeitas de abuso às autoridades policiais locais e federais no prazo de 24 horas. 


A IHS introduziu, igualmente, “workshops” de formação, despediu pelo menos dois funcionários e proibiu a contratação de médicos com restrições legais à prática da profissão. O IHS comprometeu-se, também, a proteger os denunciantes.


Além disso, foi criada, em Washington, uma “task force” presidencial para determinar de que forma teriam os médicos conseguido abusar sexualmente de crianças, sem que nenhum dos colegas os denunciasse.


O Prémio Worth Bingham distingue reportagens de investigação sobre negligências na prestação de serviço público.