Imprensa local e regional espanhola em vantagem na circulação
Em Espanha, a imprensa local regista melhores resultados de circulação, do que a imprensa nacional, notou o jornalista Luis Palacio num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas” editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
De acordo com o autor, nos últimos anos, a circulação dos jornais nacionais caiu em 49,5%, enquanto a imprensa local registou uma quebra de “apenas” 27%. Ainda assim, Palacio considera que a imprensa regional espanhola tem características muito próprias, que devem ser analisadas, de forma a mitigar possíveis problemas.
Para começar, cada mercado é único. E por cada mercado entende-se o mercado provincial ou local. Ou seja, são consideradas as províncias dentro de cada região autónoma: no caso da Catalunha, por exemplo, são analisadas as províncias de Barcelona, Girona, Lérida e Tarragona.
A segunda característica do mercado de imprensa local é a pouca expressão virtual dos jornais regionais.
A terceira passa pela importância de dois Grupos de imprensa especializados neste mercado: o Vocento e a Prensa Ibérica Media, são proprietários da maioria dos títulos da imprensa local conceituada.
O Vocento registou, em 2019, receitas operacionais de 395 milhões de euros, dos quais 57% provinham da sua divisão de imprensa local, com 222 mil exemplares em circulação diária.
No caso da Prensa Ibérica Media, o volume de circulação ascendeu aos 137 mil exemplares. Contudo, no ano passado, o Grupo presidido por Francisco Javier Moll absorveu o Grupo Zeta. Se tivermos em conta a “performance” de ambas as empresas, em 2018, a circulação da Prensa Ibérica Media estaria ao nível da Vocento: 220 mil.
Novembro 20
Mas, de uma forma geral, as receitas têm vindo a diminuir ao longo dos anos. Entre 2014 e 2017, o número de jornais locais que faziam parte da lista das 100 maiores empresas de “media” espanholas, em termos de resultado operacionais, passou de 39 para 36.
Por outro lado, a análise da imprensa local estaria incompleta sem o formato digital e, nesse campo, os jornais de dimensão nacional têm vantagem.
O processo de digitalização da imprensa regional espanhola tem certas características “especiais”, reiterou o autor. Para começar, porque do ponto de vista da concorrência, a luta para captar a atenção do consumidor é exacerbada, já que existe mais do que um concorrente.
Até porque o facto de o lançamento de um meio “online” não precisar de licença conduziu a uma proliferação de “nativos digitais” -- ou seja, de jornais que nunca tiveram um formato impresso.
Além disso, a nível digital, estes jornais competem com a imprensa nacional, na obtenção de receitas publicitárias.
Por outro lado, tendo em conta o fraco desempenho da fonte de receitas da publicidade digital, muitos “media” locais foram pioneiros na incorporação de sistemas “paywall”.
Em todo o caso, a imprensa local tem de superar um desafio ainda maior: o colapso dos rendimentos causado pela pandemia de Covid-19. E, neste ponto, o problema é global.
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