“Durante muito tempo, os jornalistas acreditaram que o jornalismo falava por si próprio. Mas os tempos são outros.” 

Segundo a reportagem do Público, que aqui citamos, “um grande esforço tem sido feito para se lutar contra as notícias fabricadas, investindo em ferramentas que consigam restabelecer o rigor da informação e a confiança entre o legado dos media e o público”. 

“Intriga-me” que os jornalistas nunca tenham achado que construírem confiança e lutarem pela literacia nos media “fazia parte da sua missão”, disse, durante o encontro, Dan Gillmor, professor de literacia em media digitais da Universidade do Arizona. (...)

“Dan Gillmor considera que o termo fake news deve ser evitado, pois é um termo armadilhado, criado por quem está contra o jornalismo e por pessoas que usam a mentira para atingir os seus fins. O termo ‘falso’ nunca deveria ter sido associado às ‘notícias’ e ‘vai ser uma longa luta’ ensinar as pessoas a discernirem o que é a informação exacta de tudo o resto.” (...)

“A verificação dos factos não tem tido efeito na mudança de opinião sobre o que se está a passar no jornalismo. Isso não quer dizer que não seja importante ser factual. A nossa perspectiva é cobrir os acontecimentos que têm importância e fazê-lo bem”, disse Stephen Adler, presidente e editor da Agência Reuters. “Os jornalistas não falam o suficiente sobre o que fazem mal. O jornalismo é o primeiro rascunho da História, e a primeira versão da História tem normalmente erros.” (...) 

A fundadora e directora do Tow Center for Digital Journalism da Columbia Journalism School, a jornalista britânica Emily Bell, falou sobre a relação entre as plataformas tecnológicas e o jornalismo durante os últimos dois anos. 

“Emily Bell alertou para o facto de estas plataformas, como o Google, Facebook, Apple News ou Twitter, estarem a mudar a sua estratégia e a investir directamente nos media. Mas, ao mesmo tempo, estas empresas são muito mais poderosas do que as organizações de media tradicionais e estão envolvidas em várias áreas da sociedade civil. Deu o exemplo da Google, que está a investir nas organizações de media locais, em que muitas vezes o seu financiamento serve para se contratarem jornalistas.”

“E como se sentirão estas organizações quando os seus jornalistas tiverem de investigar, por exemplo, os contratos que a Google fez com as escolas locais, com câmaras municipais ou com hospitais?” 

“Este é um velho tema, mas central, na discussão sobre o futuro do jornalismo: o do equilíbrio entre o financiamento e a independência.”

 

Mais informação no texto citado, no Público