Aliás, segundo os registos da ONG, Campanha Emblema de Imprensa, o México é o segundo país mais perigoso para a actividade jornalística, depois do Afeganistão.


Os autores sublinham, neste sentido, que os homicídios são uma das principais estratégias de silenciamento de colaboradores da imprensa nos países da América Latina e das Caraíbas. Existem, no entanto, outras medidas, incluindo ameaças, assédios e bloqueio do acesso à internet.


Isto verifica-se, também, em El Salvador, onde o Presidente, Nayib Bukele, lançou uma campanha de silenciamento de certos jornais, incluindo ao título “El Faro”.


Desde que iniciou o seu mandato, em 2019, que Bukele tenta descredibilizar o  “El Faro”, acusando-o de partilhar conteúdos “panfletários”, e de participar em operações de “lavagem de dinheiro”.


“Acho que o Presidente e a sua equipa querem prejudicar a reputação do sector dos 'media'", explicou Víctor Peña, fotógrafo do “El Faro”. “Sempre que publicamos uma investigação sobre o governo, somos alvo de uma mensagem de ódio ou de difamação”.

Incidentes semelhantes, afirmam os autores, verificam-se, também, em Cuba, onde vários jornalistas foram forçados a abandonar a profissão, devido às ameaças constantes.


Perante este cenário, muitos dos jornalistas dos países da América Latina e das Caraíbas enfrentam um cenário de grande precariedade. 


No México, por exemplo, quase 100 colaboradores do Grupo da Agência de Notícias do Estado (Notimex) estão em greve há 20 meses, contra os cortes orçamentais e as demissões que se têm vindo a verificar desde o início da pandemia.


Assim, os jornalistas que conseguem resistir e continuar a exercer a profissão, começaram a lutar pela melhoria das condições de trabalho e segurança, apelando às organizações internacionais que vigiem os níveis de liberdade de imprensa, e que pressionem as autoridades locais.


No entanto, na grande maioria dos casos, a mudança ainda está longe de acontecer.