Porque é de impasse que se trata. O artigo de Eugénio Bucci começa pela descrição desse bloqueio recíproco:  “A rejeição ao governo federal alcança níveis insuportáveis e a Presidente e seus ministros já não conseguem dar uma única resposta às ruas (que não seja um elogio patético às manifestações ‘pacíficas’), assim como não conseguem governar (mal dão conta de nomear um ministro da Justiça).”

 

Como primeiro passo para um caminho positivo, o autor afirma:

 

“A solução só surgirá quando houver um diálogo público e aberto entre lideranças que saibam desprender-se das agendas partidárias, sem se desprenderem jamais da Constituição federal. Acontece que o diálogo pressupõe maturidade das lideranças, e temos tido escassez de maturidade  – e também de boas lideranças.” (...)  “Fora disso, o que se avizinha é o acirramento das tensões, da polarização e do desgoverno, num caldo propício para golpistas de quinta categoria, de um lado e de outro. Isso mesmo: de um lado e de outro.”

 

Sobre a questão da possível destituição da Presidente Dilma, Eugénio Bucci escreve, no seu artigo (datado de 17 de Março), e comparando com o caso de Fernando Collor:

“O processo de impeachment tende a se acelerar no Congresso. Sendo previsto na norma constitucional, não se pode chamá-lo de golpe, mas há nele um improviso (e um vício ético) bastante complicado, que os líderes políticos não deveriam menosprezar.”  

(...)  “As razões que levam a opinião pública a se impacientar com Dilma Rousseff nada têm que ver com pedaladas. Como razão política (mais que jurídica) para afastar a Presidente, as pedaladas assumem o aspecto de um artifício excêntrico.” (...)

“As pedaladas fiscais do governo Dilma não são um detalhe da mesma espécie. Não indicam a prática de corrupção. Cassar a Presidente em função disso seria (ou será) arranjar um expediente lateral, um pretexto de ocasião, para se alcançar o que alegam ser uma ‘boa’ causa.” (...)

“Na democracia, não há boas decisões instruídas por motivações de ocasião. Uma decisão da envergadura de um impeachment deve conter em si as razões capazes de unificar (repactuar) o País, não de dividi-lo e conflagrá-lo ainda mais.”

 

E Eugénio Bucci conclui:

“Se Dilma tem de cair  – e talvez tenha –, que não seja por ter pedalado numa curva do Orçamento. E se o Brasil vai achar uma saída  – e vai –, que não seja pelas pontes da esperteza.

A sorte do Brasil depende de um diálogo maduro, responsável e eficaz.”

 

 

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