Crescimento das assinaturas digitais não compensa as perdas na circulação impressa
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Dezembro 20
A título de exemplo, o jornal “Público” registou um crescimento de 102% nas assinaturas digitais, que deveria compensar a quebra de 21,2% na circulação impressa.
Contudo, para que a variação de receita fosse positiva, em pelo menos um euro, o crescimento de assinaturas digitais teria de ser substancialmente superior ao registado, já que o formato físico tem maior impacto.
Ainda assim, o Obercom acredita que o período pandémico veio acelerar a transformação digital da imprensa, com implicação nas vendas, criação de valor na imprensa e nas suas marcas.
Por um lado, há quem defenda que a aceleração desta transição pode ser benéfica, em termos da sua solvabilidade financeira.
Por outro, alguns especialistas acreditam que os “sites” informativos não serão a salvação das marcas de imprensa.
Este relatório deve ser complementado com a consulta dos dados da APCT (Associação Portuguesa Para o Controlo de Tiragem e Circulação) -- (leia aqui os principais resultados)
O site de jornalismo de investigação The Lever está a seguir um caminho diferente do habitual: em vez de aumentar a produção para acompanhar o ciclo noticioso do segundo mandato...
A utilização de ferramentas de inteligência artificial nas redacções sem fins lucrativos dos Estados Unidos atingiu níveis recorde em 2025, mas o sector continua a enfrentar...
O consumo de áudio digital continua a ganhar terreno em Espanha, impulsionado pela popularidade dos podcasts e pela crescente preferência dos utilizadores por formatos audiovisuais. Segundo o...
À medida que a inteligência artificial se torna uma presença cada vez mais comum nas redacções, como devem os meios de comunicação informar o público sobre a utilização destas...
Portugal continua a destacar-se entre os países com maiores níveis de confiança no jornalismo, mas enfrenta sinais preocupantes de afastamento do público em relação às notícias, especialmente...
As notícias de política, saúde pública e governação local são significativamente mais eficazes na conversão de leitores em assinantes digitais do que conteúdos de entretenimento, desporto ou...
Os adolescentes continuam interessados em notícias, mas procuram abordagens mais humanas, relevantes e ligadas às suas comunidades. A conclusão resulta de uma análise que reuniu testemunhos de...
As redacções de todo o mundo enfrentam desafios significativos na adaptação a um ecossistema mediático cada vez mais marcado pela abundância de conteúdos, pela transformação...
“O perigo não é a automação, mas um sistema de valores industriais onde a velocidade supera a perícia humana e o valor público.” A advertência é de Agnes Stenbom Swedling, uma das...