Aumentam as probabilidades de consumirmos noticias falsas
Em 2022, metade das notícias que iremos consumir serão falsas, é a previsão do consultor de tecnologia Gartner.
Mas será o jornalismo vítima ou culpado desta situação?
No entender do autor é vítima, porque hoje muitas das informações publicadas e divulgadas como notícias são falsidades ou meias verdades, intencionalmente disseminadas com fins lucrativos ou com uma intenção bem definida.
Mas também é culpado, porque existem muitos meios de comunicação que nasceram especificamente com o objectivo de desinformar.
O surgimento da internet e das redes sociais colocou os media numa crise quase existencial.
Vejamos o caso espanhol em jornais impressos. Actualmente, eles são consumidos por 9,6 milhões de espanhóis. Curiosamente, 9,6 milhões são também os utilizadores do Facebook em Espanha.
Em comparação com dez anos atrás, o número de leitores foi reduzido a metade, o que representa 850 mil a menos por ano, de acordo com dados de 2017 recolhidos no General Media Study.
A perda de peso do papel coexiste com a hiper-velocidade e a hiper-condensação impostas pelas redes sociais, pela necessidade de atrair atenção e gerar impacto e tráfego constante nas edições online, para compensar a perda de financiamento que a publicidade em massa assumiu.
Esse coquetel de factores condena os media a ficarem reféns da ditadura do clique. Uma ditadura que empurra o jornalismo a fabricar cada vez mais e mais, para incorporar no circuito informativo as informações que foram descartadas anteriormente.
Hoje, consumimos notícias sobre as quais cada vez mais desconhecemos os dados como a autoria, proveniência ou qualidade da informação. Consumimos notícias opacas e descompactadas que, são apresentadas sem o aval profissional de um chefe de redacção ou de um jornalista profissional. A simples aparência de notícias é suficiente para concedermos a mesma validade que às informações jornalísticas.
Em Espanha, apareceram verificadores de dados independentes dos media tradicionais , tais como o Miniver.org, Maldita, Maldito Bulo, Maldita Hemeroteca, Maldito Dato, Maldito Feminismo, Maldita Migración ou El Confidencial.
A verificação de dados, poderá ser o primeiro passo do jornalismo para tornar o seu trabalho visível e compreensível e para reivindicar o serviço que os jornalistas prestam à sociedade.
O jornalismo, deve apostar na recuperação dos factos e abandonar opiniões ou especulações como a principal origem das suas informações. O objectivo deve ser “a recuperação da essência do bom jornalismo, um jornalismo que não gere dúvidas, que ofereça histórias sólidas e comprovadas e que dê aos cidadãos garantias de que o que está sendo dito é suficientemente comprovado”.
Os media e o jornalismo, são o os instrumentos ideais para combater e superar o fenómeno da desinformação e das notícias falsas. Para isso, devemos apostar na qualidade e não na quantidade.
Chegou a hora de encontrar novos avanços que possibilitem recuperar o serviço de garantia na selecção de informações de qualidade que definam o significado social dos media.
(Mais informação na APM)