“As ferramentas de bloqueio” podem ter efeitos perversos
Nos últimos anos, os utilizadores das redes sociais começaram a prestar mais atenção à qualidade da informação partilhada pelos seus amigos e familiares, bloqueando, por vezes, aqueles que disseminaram “fake news”.
Contudo, segundo um estudo partilhado no “Journal of Communications” – entretanto analisado no “Nieman Labs” – os cidadãos têm menor probabilidade de bloquear utilizadores que partilhem das mesmas visões ideológicas, mesmo que estes contribuam para a distribuição de notícias falsas.
Este fenómeno está, assim, a colaborar para a criação de “câmaras de eco”, nas quais os utilizadores apenas têm contacto com ideias semelhantes às suas, explicou Cristian Vaccari, um dos autores do relatório, que contou com a participação de 986 cidadãos alemães.
“As pessoas confiam nos amigos com ideais semelhantes, mesmo que estes partilhem desinformação. Contudo, tendem a bloquear outros utilizadores, com quem não estejam de acordo a nível político”, acrescentou Vaccari.
Outra das conclusões do relatório é que as visões políticas têm influência no nível de tolerância quanto à publicação de notícias falsas.
“Nós pensávamos que, quanto maior fosse a mentira, menos fidedigna seria a publicação, e maior a probabilidade de os utilizadores bloquearem quem a partilhou. E isso é verdade”.
Março 22
Contudo, explicou Viccari, "os cidadãos conservadores têm menor tendência para bloquear pessoas com base em diferenças ideológicas”.
Pelo contrário, os seguidores de uma ideologia de extrema esquerda fazem-no com grande frequência.
E, ao bloquearem utilizadores com ideologias diferentes, os cidadãos de extrema-esquerda poderão estar a contribuir para a polarização da sociedade, uma vez que estão a limitar o seu contacto com outros pontos de vista.
Assim, Viccari concluiu que “as ferramentas de bloqueio”, no contexto das “fake news”, podem ter um reflexo nefasto na sociedade.
“Se as pessoas utilizassem estas ferramentas de forma neutra, não haveria problema. Contudo, o estudo demonstra que estas atitudes são partidárias”.
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