Algoritmos aplicados na limpeza de noticias falsas
Os primeiros casos de falsificação “eram relativamente inofensivos”,mas alguma coisa mudou.
“Alan Rusbridger, editor-chefe do Guardian por 20 anos, até 2015, e hoje director do Reuters Institute for the Study of Journalism, classifica três categorias de notícia falsa: aquelas deliberadamente inventadas para ganhar dinheiro; as criadas em campanha com fins políticos; e as surgidas, por exemplo, num site de humor, mas compartilhadas negligentemente como notícia.”
“As três são estimuladas ou facilitadas tanto por Facebook quanto por diversas plataformas do Google, mas sobretudo a primeira categoria, pois o duopólio premia páginas e sites de acordo com o tráfego que geram para os anúncios.” (...)
“Parte do dinheiro dos anunciantes é transferido pelo duopólio para as páginas e sites, não importando se veiculam notícias falsas ou discurso de ódio. Pelo contrário, quanto mais sensacionalista o post, maiores a audiência e o ganho com publicidade.” (...)
Estavam criadas as condições para todos os desastres e todas as tempestades. “Emily Bell, jornalista inglesa hoje na direção do Tow Center for Digital Journalism, da Columbia University, vislumbrou no plebiscito britânico [do Brexit] a primeira votação em que o chamado ‘efeito bolha’ contribuiu decisivamente para o desfecho.” (...)
“O Brexit foi uma introdução. O choque maior veio com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, em Novembro de 2016. Foi quando Google e Facebook, este depois de alguma resistência inicial, acordaram para o risco de estarem subvertendo a democracia – ou pelo menos manchando suas imagens corporativas.” (...)
O trabalho de Nelson de Sá descreve as medidas que foram depois tomadas pelas plataformas gigantes para modificarem “os seus algoritmos de busca, no caso do Google, e de composição do feed de notícias, do Facebook”. (...)
Mas a segurança é sempre provisória, como conclui:
“Ainda assim, falta transparência. O Facebook chegou a citar um relatório que identificou a acção de agentes governamentais na França, dando a entender que seriam ligados à Rússia. Nada, porém, sobre agentes ligados aos Estados Unidos – que agiram na eleição francesa anterior, como revelou o WikiLeaks.”
Este trabalho pode ser lido, na íntegra no Observatório da Imprensa do Brasil.