Além disso, Dreyfuss apontou a sintonia da imprensa com as tendências do Twitter como, talvez, “um dos erros fundamentais que permitiu que os “meme warriors” alcançassem todos”. Na era que o jornalismo enfrenta, “tornou-se ainda mais importante que os jornalistas escrevessem mais, tivessem muito conteúdo e cobrissem aquilo de que todos falavam”.

Quanto aos “hate facts” e às estatísticas pouco representativas que, muitas vezes, acabam por fazer com que as comunidades visem, ainda mais, os grupos marginalizados, a imprensa acaba por contribuir para a sua perpetuação.

Isto porque, segundo os entrevistados, o facto de existirem “substituições” de termos, por parte dos jornalistas, ao abordar determinados assuntos, bem como a adopção acrítica de declarações oficiais que criminalizam as comunidades já marginalizadas, acabam por se revelar nas principais formas da imprensa “perpetuar muitas destas narrativas”.

Relativamente à posição dos jornalistas face às “meme wars”, Donovan realçou a dificuldade que é, para os profissionais, perceber “de que lado se está a jogar”. Na verdade, “os jornalistas podem ver algo a surgir e pensarem que é interessante, mas não compreenderem que pode fazer parte de uma campanha de manipulação, visando-os directamente”, acrescentou.

Assim, o investigador aconselhou os profissionais a questionarem-se: “Será que chamar a atenção para estes memes vai melhorar a compreensão do público? Será que a cobertura disto vai ser prejudicial de alguma forma? Será que vai dar oxigénio àqueles que estão a tentar travar guerras culturais?”.

Dreyfuss realçou que as “meme wars” são uma evolução das guerras culturais, onde “a criação e a escalada em massa dos meios de comunicação social, a infra-estrutura da internet social, e a forma como essas coisas colocam o poder de alcançar milhares de milhões de pessoas nas mãos de todos, mudou a natureza da forma como essas guerras culturais podem ser travadas em linha”.

Também, Joan Donovan reforçou a teoria de que as guerras de memes impulsionam o que está online a transpor-se para o mundo real, “não havendo mais offline”.

A concluir a entrevista o investigador alertou ainda para a necessidade de que “os jornalistas compreendam que estão na linha da frente das "meme wars", e que podem realmente mudar o equilíbrio ao mudarem as personalidades e grupos que destacam e as histórias que escolhem para contar”.