A pandemia veio alterar, profundamente, o panorama jornalístico mundial, afirmaram os jornalistas Jon Henley -- correspondente do “Guardian”-- , Richard Werly, correspondente do “Temps”-- e Marc Bassets -- “correspondente do “El País”, num artigo de opinião publicado no “Monde”.
Como recordam aqueles profissionais, os jornalistas passaram a desempenhar as suas funções por via remota, as “fake news” começaram a surgir em “vagas temáticas” e o modelo de negócio tradicional tornou-se obsoleto.
Na Grã-Bretanha, por exemplo, o Covid-19 provou ser, ao mesmo tempo, uma oportunidade e uma ameaça. Por um lado, a gravidade da crise fez com que o jornalismo, fiável e baseado em factos, voltasse a ser relevante.
O “Guardian” registou um crescimento exponencial na sua audiência, com picos de 25 milhões de leitores por dia.
Por outro lado, os “media” tradicionais foram afectados pela quebra das receitas publicitárias, o que obrigou a administração daqueles jornais a implementar planos de redução de custos. Foi o caso do “Financial Times” e do “Daily Telegraph”.Para os autores, a pandemia "contaminou o sal" do jornalismo.
Julho 20
O mesmo aconteceu em Espanha: a audiência “online” aumentou e o investimento dos anunciantes diminuiu.
No caso do “El País”, recordou Bassets, a pandemia surgiu numa altura em que o “site” do jornal estava em plena transformação digital.
Isto impulsionou uma aceleração na adaptação à era digital.
Richard Werly, correspondente do “Temps”, considerou, por outro lado, que a pandemia “contaminou o sal” do jornalismo, bem como a forma de trabalhar.
Isto porque, devido ao confinamento, os jornalistas deixaram de poder deslocar-se, ficando para trás as histórias internacionais.
Assim, de acordo com Werly, o jornalismo ficou mais pobre, visto que se tornou impossível comparar realidades e, consequentemente, informar de forma plural.
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