Sindicato de Jornalistas contra Ministério da Justiça
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) vai pedir audiências ao Presidente da República, ao Tribunal Constitucional e ao Ministério da Justiça, que “escolheu os órgãos de comunicação social que quis para uma conferência de imprensa de apresentação da estratégia de combate à corrupção 2020-24”, o que vai contra os pontos 2 e 3 do artigo 1.º da Lei de Imprensa.
Em comunicado, o SJ condenou “o aproveitamento que está a ser feito, a propósito da pandemia de Covid-19, para vedar o acesso dos jornalistas à informação”. “Apesar de vivermos em pandemia há seis meses, a Democracia não está suspensa, pelo que importa que fique claro para todos os intervenientes da sociedade civil portuguesa que a covid-19 não pode, de forma alguma, contribuir para cercear o direito dos portugueses à informação, feito através dos jornalistas, homens e mulheres devidamente credenciados para o efeito”
“Este ataque à liberdade de imprensa, a coberto da pandemia, não é novo -- continua o comunicado -- Infelizmente, de forma muitas vezes subtil e mascarada de cortesia, várias instituições estão a apertar a malha e a vedar o acesso a fontes oficiais de informação”.
Setembro 20
O SJ considerou, ainda, que “ao aceitar imagens, textos e vídeos de uma das partes, os jornalistas estão a aceitar uma selecção já feita, uma edição a gosto de quem a fornece, trabalhando apenas sobre uma parte da realidade. Por muito sério que seja o trabalho jornalístico produzido com recurso a meios fornecidos por entidade externas, como sejam os clubes de futebol ou os ministérios, esses trabalhos estarão sempre feridos do ponto de vista jornalístico, porque tem por base um produto oferecido e feito segundo premissas que não são inteiramente jornalísticas”
E sustentou, ainda, que ,“As imagens de cortesia, ainda que possam ilustrar algumas ‘notícia’”, não podem ser encaradas como uma simpatia, porque significa uma machadada no jornalismo, deixando aberta uma ferida por onde vão sangrar postos de trabalho, uma ferida que vai enfraquecer a qualidade do produto oferecido aos portugueses e que, inevitavelmente, vai afectar os órgãos de comunicação social, podendo levar ao fim das empresas e colocando em risco a desejável pluralidade do jornalismo”.
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