O negócio das “fake news” está a tornar-se lucrativo em Portugal, alertou o jornalista Paulo Pena, em entrevista ao “site” de jornalismo independente “Fumaça”.
De acordo com o também fundador do Investigate Europe -- uma cooperativa europeia de jornalismo de investigação -- existem, de momento, cerca de 40 “sites” portugueses de desinformação, que subsistem graças a plataformas como a Google ou o Facebook, que pagam receitas publicitárias sobre o conteúdo produzido.
Este “duopólio mundial com milhares de milhões de clientes” não só contribui para o crescimento das “fake news” como é imune à responsabilidade de as publicar, alertou.
Isto porque, ao contrário de um “media” registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), as redes sociais e plataformas “online” não têm de “prestar contas” por difundirem mentiras ou não respeitarem a Lei da Imprensa ou o Código Deontológico de Jornalistas.
Outubro 20
A título de exemplo, em 2018, começou a circular uma das mais conhecidas “fake news” portuguesa; uma imagem manipulada onde se alegava que Catarina Martins, deputada do Bloco de Esquerda, usaria um relógio suíço avaliado em 20,9 milhões de euros.
A publicação foi denunciada por vários “media” e rapidamente negada pelo gabinete de imprensa do BE. Porém, o responsável pela publicação não foi multado, o dono do “website” em questão não foi investigado judicialmente, e a plataforma continua activa.
Perante este cenário, Paulo Pena considera que o governo deve tomar medidas. “O que faz sentido é que as redes sociais sejam controladas por mecanismos democráticos (…) Devem ter, pelo menos, as regras que os órgãos de comunicação social têm.”
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