Morreu o jornalista José Queirós fundador do “Público”
Morreu o jornalista José Queirós, que foi um dos fundadores e director-adjunto do Público, sendo mais tarde, durante três anos, o seu provedor do leitor. Natural do Porto, onde sempre viveu, começou como repórter estagiário do Primeiro de Janeiro, em 1977. Durante a década de 80 foi o responsável pela organização e expansão da delegação do Expresso na mesma cidade. Entre 2002 e 2008 trabalhou no Jornal de Notícias, de que foi chefe de redacção.
José Queirós deixou, da sua experiência como provedor do leitor, uma avaliação pessoal: "Agora farto-me de ler, sou sério candidato a leitor número um do Público, leio o jornal de ponta a ponta. Se já antes o fazia, quando por aqui andei e ajudei a criar este diário, continuei a fazê-lo por gosto."
"Tenho orgulho neste jornal e zango-me com ele quase todos os dias. Suponho que se chama a isto um afecto possessivo, que devo recalcar semana após semana, para ganhar a distância necessária na avaliação das críticas que me chegam."
Fevereiro 19
Na sua última crónica, de 24 de Fevereiro de 2012, José Queirós despedia-se com um agradecimento aos seus leitores e portadores de crítica:
Dirigia-se a um "leitor culto e exigente, que aprecia o rigor, a isenção e a profundidade das notícias, que valoriza a qualidade da informação e da opinião, que é pouco tolerante face a erros e falhas profissionais". A um leitor que "está preocupado com o futuro do jornal que escolheu".
"Obrigou-me a reflectir sobre um rol significativo de questões de natureza ética e deontológica, suscitadas por trabalhos publicados, e nem todas fáceis de apreciar, por envolverem com frequência escolhas dilemáticas entre valores em confronto" - afirmou.
Com mais de três décadas de trabalho realizado nos jornais, o próprio José Queirós declarava ser jornalista “mesmo antes da profissão”.
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