Estava nos Estados Unidos, em 1968, quando Martin Luther King foi assassinado, alertando o “Diário Popular” para esse acontecimento marcante, com repercussão global.

Manuel Magro fez parte do quadro dos “notáveis “  na redacção no “Diário Popular” -  ao tempo de  Francisco Balsemão,  administrador e um dos donos do jornal - ,  que integrava jornalistas do gabarito de José de Freitas (célebre por ter reportado “in loco” a primeira experiência nuclear chinesa ),  Urbano Carrasco (que foi o primeiro a pôr o pé e a hastear a Bandeira na ilhota formada pelo vulcão dos Capelinhos) ou Jacinto Baptista, um “seareiro” com obra pulicada. E outros.  

Com a falta de memória que contamina hoje as redacções, ninguém deu pela sua morte. Não houve uma noticia, uma linha publicada fora da blogosfera , sobre um homem que “olhava os jornais como quem olha as jóias numa montra”, como é descrito no Ecoesfera.

Com feitio reservado, Manuel Magro afastou-se, talvez desiludido dos media - e, em particular dos jornais -, cultivando um distanciamento que, afinal, sempre o caracterizou.  

Poucos o avistavam e raros o reconheciam nos seus passeios solitários pelo paredão do Estoril. 

Os jornais, aos quais consagrou boa parte da sua vida, já cá não estão para contar o seu passamento. E os outros, perderam a memória.