Jornalistas da Global Media contestam decisões de administrador
As directoras do “Jornal de Notícias” e “Diário de Notícias”, Inês Cardoso e Rosália Amorim, renunciaram aos cargos de administradoras não executivas da Global Media, noticiou a revista “Sábado”.
A decisão surgiu na sequência da posição assumida por todos os conselhos de redacção do Grupo, que consideram “ilegítima” a ordem dada pelo presidente do conselho de administração (PCA), Marco Galinha, para que os artigos de opinião de pessoas expostas politicamente deixem de ser remunerados.
Em causa está, também, o facto de, sem conhecimento das direcções, Marco Galinha ter passado a administrar as redes sociais das publicações do Grupo.
Os jornalistas que fazem parte do CR da rádio manifestaram, neste sentido, "preocupação com o fim do pagamento a personalidades políticas que colaboram com a TSF na área do comentário”. A directora de comunicação do Grupo Bel, Helena Ferro Gouveia, afirmou, por outro lado, que “não houve, de forma alguma, uma tentativa de condicionamento editorial”. “[As pessoas expostas politicamente] têm liberdade de escrever, se forem convidadas pelos directores, não podem é ser pagas por isso”, salientou. “Isto é uma prática internacional. Os políticos escrevem opinião, mas não recebem por isso”, diz ainda, lembrando que “os recursos são limitados” e que “ há prioridades de gestão”, como contratar jornalistas.
Junho 21
Ferro Gouveia confirmou, ainda, que Marco Galinha surge, agora, como administrador das redes sociais do vários títulos. “Foi pedido pelo presidente do conselho de administração o acesso a informação estatística e foi-lhe dito que não era possível e surgiu esta solução”, afirmou, refutando, uma vez mais, qualquer intenção de intervenção editorial. “Isto é uma acto de gestão. Aquilo que não é mensurável não é gerível.”
Os comunicados agora emitidos pelos jornais diários revelam outros problemas. No DN, por exemplo, fala-se numa “gritante escassez de recursos no corpo redactorial, sem paralelo em qualquer outro título do grupo ou da concorrência”.
O CR do DN também “manifesta a sua estupefacção” com uma nova “prática de contagem de presenças no espaço físico das redacções, alegadamente a pedido da administração”.
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