Jornalismo de investigação sujeito a restrições judiciais na Hungria
A liberdade de imprensa continua a ser reprimida na Hungria, onde o tribunal de Budapeste emitiu uma ordem judicial contra a publicação de uma reportagem, do jornal “Magyar Narancs”, sobre a empresa de bebidas Hell Energy.
Para tal, a justiça húngara citou o Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados da UE.
Em resposta a este acontecimento, o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) considerou que “as empresas privadas têm o direito de iniciar processos contra publicações jornalísticas, mas não devem evitar o escrutínio e suprimir informação que pertence ao domínio público”.
Em declarações ao CPJ, Keller-Alánt, jornalista de investigação para o “Magyar Narancs”, confirmou o envio de onze perguntas, para a Hell Energy.
A empresa não respondeu, mas iniciou um processo em tribunal, apelando às autoridades que impedissem a publicação de qualquer conteúdo relacionado com as questões.
De acordo com aquele profissional, a decisão constitui “um precedente perigoso, que terá consequência negativas no jornalismo de investigação húngaro”.
Outubro 20
Entretanto, em resposta ao CPJ, um porta-voz da Hell Energy afirmou que “a aplicação da lei é determinada por um tribunal independente, cujas decisões devem ser acatadas por todos”.
Esta não é, contudo, a primeira vez que a Hell Energy tenta coartar a liberdade de imprensa.
Em Janeiro, a empresa iniciou uma acção judicial contra a revista “Forbes”, que incluiu os responsáveis pelo empreendimento na lista das “pessoas mais ricas na Hungria”. As suas identidades acabaram por ser retiradas do artigo.
De acordo com os relatórios da Freedom House, a Hungria é um país parcialmente livre, onde a maioria dos “media” é controlada pelo governo.
Além disso, os jornalistas independentes têm dificuldade em aceder a informação oficial, e estão proibidos de colocar questões a membros do Parlamento.
A Hungria posiciona-se no 89º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), entre um total de 180 países.
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