É uma longa história, que tem algo dos enredos de Shakespeare  - como fica bem no espaço britânico -  mas sobretudo muito a ver com as questões da posse dos meios de comunicação e da ética e deontologia do jornalismo, que estiveram na origem da primeira queda de James Murdoch.

Segundo Le Monde, a partir do momento em que o pai o elevou ao posto de director-geral do grupo de emissores por satélite, em 2003, James Murdoch, “compreendendo que a Internet e a televisão estão em processo de convergir, conseguiu a mudança tecnológica, aumentando de forma espectacular o número de assinantes. Graças a este sucesso, cinco anos mais tarde ele é colocado à frente de todas as actividades do império familiar fora dos Estados Unidos, incluindo os jornais britânicos”.

Foi o que provocou a sua queda. Ainda segundo Le Monde, ele “não compreende a vastidão do escândalo das escutas telefónicas no News of the World, o tablóide dominical do grupo”, porque tem como objectivo principal comprar os 61% da Sky, de que a família ainda não é proprietária.

Os adversários mobilizam-se, “temendo o domínio absoluto  do império Murdoch sobre os media britânicos, o qual já é dono do Times e do Sun; a polémica assume contornos políticos, sendo o governo conservador de David Cameron acusado de estar demasiado próximo da família australo-americana”.

Agora, regressado do exílio, há coisas que parecem voltar a ser possíveis. O texto de Eric Albert, correspondente do Le Monde em Londres, conclui:

“Ele nunca perdeu de vista a operação abortada de aquisição da Sky. O seu regresso vai relançar as especulações sobre uma nova tentativa. Em 2015, a sociedade de consultoria Enders Analysis admitia que a questão não era de saber se uma nova oferta seria feita, mas sim quando. Este momento parece subitamente reaproximado.” 

Mais informação no Le Monde e no Guardian: