Investigador alerta para restrições à imprensa angolana
O activista angolano Domingos da Cruz, autor do livro “Angola Amordaçada – A Imprensa ao Serviço do Autoritarismo”, considerou que Angola “não é uma democracia” e aqueles que usam as liberdades no país "colocam em risco a vida”.
Para Domingos da Cruz, também investigador e docente, debater se Angola é, ou não, um Estado democrático de direito “é uma questão pueril, não faz sentido absolutamente nenhum e revela ausência de consciência crítica individual e colectiva”.
“Não se deve fazer este debate sobre a existência, ou não, de democracia em Angola porque está mais do que evidente, do ponto de vista da análise comparativa em termos empíricos, que Angola não é uma democracia”, afirmou aquele activista angolano, durante a apresentação do seu livro promovido, em Luanda, pelo “Observatório de Imprensa de Angola”.
Para Domingos da Cruz, o seu país “não se enquadra no nível de cultura política em que se encontra o Gana, as Ilhas Maurícias, a África do Sul, a Zâmbia, a Namíbia” ou seja, prosseguiu, “ Angola não está dentro deste clube de Estados democráticos e de direito”.
Isto porque, de acordo com aquele activista , numa sociedade democrática, “tem de haver imprensa livre, todas as liberdades devem ser exercidas, sem representar riscos para a nossa própria vida, para a nossa integridade física, sem representar riscos para a busca de oportunidades”.
Outubro 21
O psicólogo angolano, Nvunda Tonet, comentando a temática do livro no encontro, lamentou, por sua vez, a “redução drástica” do número de jornais privados em Angola, considerando, igualmente, que a ideia de que haja maior liberdade de expressão e crítica no país “é ilusória”.
Já o politólogo Olívio Nkilumbo lamentou a “regressão considerável” das liberdades em Angola referindo que a actual Lei de Imprensa “mata os ‘media’ nacionais”.
De acordo com os relatórios da Freedom House, Angola é um país não livre, onde o governo controla a maioria dos “media” e mantém uma relação de proximidade com os donos de jornais privados.
Além disso, o jornalismo independente é perseguido, e o código criminal prevê a detenção de profissionais que promovam“discurso do ódio” ou que disseminem “fake news”.
Angola encontra-se em 103º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras.
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