Índia restringe redes sociais para calar protestos
O governo indiano ordenou a detenção de, pelo menos, nove jornalistas, acusando-os de terem reportado sobre algo que “nunca aconteceu”.
Em causa está um movimento de contestação de agricultores, iniciado a 26 de Novembro na periferia de Nova Deli, contra as reformas governamentais de liberalização do sector.
De acordo com os “media” locais, esta onda de protestos culminou, no final de Janeiro, em confrontos com as autoridades policiais e no assassinato de um jovem de 25 anos.
Contudo, o governo alegou que as autoridades não dispararam contra nenhum dos manifestantes.
Existem, no entanto, relatos de testemunhas, que corroboram a narrativa dos jornalistas.
Perante este cenário, o governo indiano decidiu restringir a liberdade de expressão nas redes sociais, ao requisitar ao Twitter que bloqueasse mais de duas centenas de contas, incluindo os perfis de jornalistas, agricultores e alguns representantes sindicais, sob o argumento de que estes representam uma “séria ameaça à ordem pública”.
Um porta-voz dos agricultores assegurou, por sua vez, que “nada de repreensível” pode ser atribuído às contas bloqueadas, a não ser o apoio aos protestos.
Fevereiro 21
Os Repórteres sem Fronteiras (RSF) condenaram, entretanto, este bloqueio, considerando-o “um caso chocante de censura flagrante”.
“Ao ordenar estes bloqueios, o Ministério do Interior está a comportar-se como um Ministério da Verdade orwelliano, que quer impor o seu próprio relato dos protestos dos agricultores”, acrescentaram.
A Índia recorre, regularmente, ao bloqueio do acesso à Internet, para limitar a partilha de informação. O país ocupa o 142.º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa dos RSF, num total de 180 países.
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