Governo francês retira “site” contestado pelos “media”
Depois de ter sido pressionado pelos “media”, o Governo francês eliminou o “site” “Desinfox”, uma página dedicada ao combate das “fake news” sobre o novo coronavírus.
Naquela plataforma estavam compilados artigos de alguns jornais franceses, que foram reproduzidos sem o seu consentimento. As associações de “media” francesas consideraram esta acção anticonstitucional, sublinhando, em comunicado, que não competia ao Governo “arbitrar” o conteúdo noticioso.
O Syndicat National des Journalists (SNJ) chegou a interpor um recurso de urgência, solicitando que o primeiro-ministro, Édouard Philippe, suprimisse a página e "pusesse termo ao ataque grave aos princípios do pluralismo na expressão de opiniões e à neutralidade das autoridades públicas".
Segundo os advogados do sindicato, a página “Desinfox” alimentou “suspeitas sobre as relações entre a imprensa e o mundo político”, o que constituiu "uma interferência clara das autoridades públicas na liberdade de imprensa, numa altura em que os jornalistas deveriam, segundo o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, ser os "watchdogs da democracia".
Maio 20
Recorde-se que, confrontadas com a criação da página, a Sociedade de Jornalistas e a Sociedade de Redactores elaboraram uma carta de denúncia, recordando que “ao distinguir este ou aquele artigo no seu site, o governo rotula como satisfatória a produção de certos jornais. Segundo a mesma lógica, os outros não são dignos”.
O documento foi subscrito por diversos jornais, televisões e rádios, entre as quais: “Courrier international”, “Les Echos”, “Le Figaro”, “Le Monde”, “20 Minutes” France 2, France 3 National, France Info, “L’Obs” e “Le Parisien”.
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