Governo de Hong Kong pondera modelo de acreditação para jornalistas
A Federação Internacional de Jornalistas e a sua filial, a Hong Kong Journalists Association (HKJA), emitiram uma declaração em conjunto com os sindicatos de jornalistas, para manifestar a sua oposição quanto à eventual intenção de criar um sistema de acreditação governamental para jornalistas em Hong Kong.
Têm circulado relatos sobre estudos conduzidos pelo governo e pela polícia, cujo objectivo seria emitir cartões de imprensa “oficiais” para identificar os repórteres que cobrem os protestos.
Recentemente, o Superintendente Geral do Departamento de Relações Públicas da Polícia, Kong Wing-Cheung, afirmou que "a polícia saúda qualquer solução que possa identificar jornalistas, argumentando que "os policias têm dificuldades em identificar jornalistas na linha de frente".
Na maioria das agressões a jornalistas comunicadas à IFJ, os profissionais estavam claramente identificados através de equipamentos, coletes, capacetes e cartões de imprensa de grande visibilidade. Apesar disso, os agressores têm atacado os jornalistas e negado a sua identificação como meios de comunicação social. Assim, a HKJA afirma não haver justificação para restringir a atribuição de identificações a jornalistas, até porque o controlo ou acreditações realizadas pelo governo poderiam limitar o seu acesso.
A IFJ publicou um comunicado no site, assumindo a sua posição.
Outubro 19
A IFJ defende que "a liberdade de imprensa em Hong Kong já está a ser testada pela brutalidade policial, violência e intimidação. Um processo de selecção oficial imposto pelo Governo de Hong Kong irá inevitavelmente prejudicar a capacidade dos jornalistas publicarem informações".
A IFJ e a HKJA continuam a insistir que os jornalistas devem ter sempre consigo a sua identificação, não porque esta seja legalmente exigida, mas para garantir a segurança.
Desde o início dos protestos em junho de 2019, foram registadas 80 violações contra jornalistas pela IFJ e pela HKJA, incluindo 43 ataques, 9 detenções e 1 morte.
A Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, afirmou, contudo, que o governo não tinha "qualquer intenção ou plano para iniciar um sistema centralizado de registo de jornalistas".
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