Quando se pretende falar sobre temas difíceis, o anonimato é sempre a forma mais fácil.
É por esse motivo que o anónimo Google Doc tem sido utilizado por jornalistas para denunciar situações desconfortáveis.
Primeiro, houve o documento, que circulou em 2017 e, que acabou por transformar-se numa longa lista de “supostos” indivíduos que assediavam jornalistas.
Actualmente, existe um outro documento a circular, no qual os jornalistas estão a ser encorajados a partilharem os pormenores das suas remunerações (A CJR não verificou, contudo, nenhuma das informações independentemente).
Apesar de poder parecer que os vencimentos seriam um tema mais simples e menos controverso do que apontar abusadores sexuais, a verdade é que o tema sempre foi “delicado” no sector dos media.
Isto deve-se ao facto de a divulgação dos ordenados poder reflectir problemas incómodos e desconfortáveis, como uma distinção salarial entre géneros ou outro tipo de discriminação. Ou mesmo porque poderá reforçar o quão baixos são os salários do sector, para a maioria, em quase todo mundo.
Novembro 19
Um produtor web para a Wirecutter, o site de análise do consumidor, propriedade do New York Times, ganha 45 mil dólares, de acordo com a lista.
Um editor no mesmo site, com três anos de experiência, tem um salário de 62 mil dólares, enquanto um editor adjunto do Times, com 15 anos de experiência, ganha 145 mil, mas esses números são a excepção e não a regra.
Um produtor sénior de vídeo no USA Today ganha 50 mil dólares.
Este é um caso de jornalistas que investigam problemas do sector de forma anónima, numa base Google. Contudo, estas questões poderão vir a trazer implicações éticas que devem ser consideradas.
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