Um grupo de homens armados atacou a Rádio Capital, na Guiné-Bissau, uma semana após a mais recente tentativa de golpe de Estado naquele país.
De acordo com o director daquela estação, Lassana Cassamá, o atentado resultou no ferimento de três jornalistas, de um técnico de apoio à emissão, e de um administrador.
“Destruíram a rádio de novo”, disse o director, referindo que este é o segundo ataque às instalações daquela estação, que foi vandalizada em 26 de julho de 2020.
Entretanto, o Ministério do Interior garantiu que este ataque se tratou de um “acto isolado”, sem qualquer ligação à tentativa de golpe de Estado de 1 de Fevereiro, quando homens armados atacaram o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam.
“Na verdade, o que aconteceu foi um assalto à Rádio Capital, como todos nós sabemos. Há um grupo de pessoas que foram para a rádio, dispararam alguns tiros e danificaram alguns materiais da rádio e fugiram”, afirmou o coronel Salvador Soares.
De acordo com relatórios da Freedom House, a Guiné-Bissau é um país “parcialmente livre”. A Constituição prevê a liberdade de imprensa e há alguma pluralidade mediática.
Fevereiro 22
Contudo, os jornalistas são, regularmente, alvo de ameaças das autoridades e das figuras políticas.
Os Repórteres sem Fronteiras (RSF) consideram, por sua vez, que a imprensa da Guiné-Bissau está a atravessar, desde 2019, um período de polarização ideológica, um contexto que favorece a interferência do Governo nos “media”.
A Guiné-Bissau encontra-se em 95º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa dos RSF, entre 180 países.
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