O governo do Cazaquistão implementou novas regras para a acreditação de profissionais dos “media”, o que poderá constituir uma forma de censura, denunciou o Comité para a Protecção de Jornalistas -- CPJ.
De acordo com as novas directrizes, os jornalistas deverão, agora, ser acompanhados por um "anfitrião", durante a cobertura de eventos governamentais.
Em entrevista para o CPJ, a responsável pelo grupo de liberdade de imprensa Adil Soz, Tamara Kaleyeva, revelou, da mesma forma, que ainda não foram estabelecidos os critérios para a selecção dos "anfitriões", que serão, provavelmente, “guardas, censores”.
Perante este cenário, o CPJ apelou ao governo cazaque que revisse as novas emendas, de forma a garantir que estas não restrinjam a liberdade de imprensa.
“Estas regras poderão sugerir aos jornalistas que evitem determinadas questões, consideradas inconvenientes pelas as autoridades, o que contradiz os princípios da imprensa livre”, acrescentou a responsável do CPJ, Gulnoza Said.
No Cazaquistão, os jornalistas devem ter acreditações especiais para que possam cobrir eventos promovidos por qualquer instituição estatal.
Março 21
A ministra de Informação e Desenvolvimento Social, Aida Balayeva, afirmou, entretanto, que estas emendas às acreditações são “necessárias para garantir que os participantes estão a seguir o tema do evento, as restrições de tempo, bem como a ordem pública, para que o tópico em discussão possa ser esclarecido com maior eficácia”.
“Isto não representa, de alguma forma, uma tentativa de restringir a liberdade de imprensa”, acrescentou.
De acordo com a Freedom House, o Cazaquistão é um país não livre, onde a liberdade dos “media” é condicionada.
Embora a Constituição garanta a independência da imprensa, a maioria dos “media” é controlada pelo governo e autocensura é uma prática comum.
Em 2018, os jornalistas passaram a ter que pedir o consentimento do governo antes da publicação de determinados artigos.
O Cazaquistão encontra-se em 157º lugar do Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, que avalia em total de 180 países.
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