Artigo de opinião gera greve na revista “Washingtonian”
Os colaboradores da revista “The Washingtonian” cumpriram um dia de greve, após a CEO do título, Cathy Merrill, ter redigido um artigo de opinião sobre os “perigos do teletrabalho”.
Nesta peça, que foi partilhada na secção de opinião do “Washington Post” (WP), Merrill começou por afirmar que “enquanto CEO”, queria que os seus colaboradores percebessem “os riscos de não voltarem a trabalhar na redacção”.
“Se os empregados não participam em trabalhos extra, a gestão sente-se tentada em alterar o estatuto do trabalhador. Em vez de receberem um salário fixo, estes colaboradores recebem, apenas, por aquilo que fazem”.
“Embora voltar à redacção possa gerar alguma ansiedade e algum medo, tem a vantagem de dar segurança aos profissionais”, continuou aquela responsável. “Recordem-se de algo que todos os gestores sabem: as pessoas mais difíceis de dispensar são aquelas que conhecemos”.
Os profissionais do “Washingtonian” consideraram que este artigo constituia uma ameaça, e decidiram, assim, suspender a publicação de artigos “online” durante um dia.
“Senti-me humilhada”, declarou a assistente de edição fotográfica do título, Lauren Bulbin, em declarações ao “WP”. “Todas as pessoas que conheço leram aquele texto de opinião e falaram comigo sobre isso. Profissionais que respeito no sector dos ‘media’ ficaram chocados por saber que trabalho neste ambiente”.
Perante esta situação, cerca de uma dezena de colaboradores partilharam a sua indignação através das redes sociais.
Maio 21
“Queremos que a nossa CEO perceba os riscos de não valorizar o nosso trabalho” e “Estamos preocupados com a ameaça pública de Cathy Merril às nossas carreiras”, foram algumas das mensagens mais partilhadas no Twitter.
Com isto, Cathy Merril foi forçada a clarificar o seu texto. “A minha intenção era explicar que, tanto eu como outros CEOs, estamos preocupados em preservar a cultura das nossas redacções”, afirmou, numa mensagem enviada aos jornalistas. “Mas compreendo que alguns de vós tenham entendido isto como uma ameaça”.
Merril assegurou, entretanto, que não vai implementar quaisquer mudanças quanto à remuneração e benefícios do seu “staff”.
Tal como aconteceu em muitas outras publicações, o “Washingtonian” implementou um regime de teletrabalho com o início da pandemia.
Os jornalistas foram, entretanto, convidados a regressar, progressivamente, à redacção.
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